Manaus, a capital da Borracha

Em 20 de dezembro de 2016 às 08:00.

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“Que poderei dizer da cidade de Manaus? É um pequeno aglomerado de casas, metade das quais parece prestes a cair em ruínas, e não se pode deixar de sorrir ao ver os castelos oscilantes decorados com o nome de edifícios públicos: Tesouraria, Câmara Legislativa, Correios, Alfândega, Presidência”. Assim definiu o viajante naturalista Louiz Agassiz, quando, em 1866, passou pela capital amazonense. Evidentemente o naturalista a via exatamente como era, uma cidade acanhada, nada a indicar que, a partir do final do século XIX e início do século XX, ostentaria o status de capital da borracha, especialmente após Charles Goodyear  descobrir o processo de vulcanização e o automóvel se tornar popular, isso depois de 1900.

A partir de 1890, graças à robustez da economia, por intermédio das exportações da borracha e o capital gerado pelo látex, Manaus recebeu investimentos em benfeitorias urbanas que alteraram, significativamente, o cenário antes observado por Agassiz.

 “A virada do século XIX para o século passado foi o momento em que Manaus passou por uma grande reforma urbana almejando um processo de embelezamento, tendo como principais obras aquelas localizadas no centro da cidade, como construções de prédios públicos, pontes, ruas, praças e jardins. Além da construção de um porto flutuante essencial para escoar a borracha para os grandes centros capitalistas, e consolidar a cidade de Manaus como “moderna” e “civilizada”. Por isso, diante da construção das inúmeras obras públicas e intervenções urbanas realizadas na administração de Eduardo Ribeiro (1892-1896) Otoni Mesquita estabelece a comparação com o Barão Hausmann por sua atuação reformadora na cidade de Manaus”. Supõe-se que foram gastos 241 mil contos de réis entre 1890 e 1912, no embelezamento de Belém e Manaus e pagamentos a políticos locais.

Na obra A ilusão do fausto: Manaus, 1890-1920, de Edinea Mascarenhas Dias, a autora entende que a modernidade em Manaus “não só substitui a madeira pelo ferro, o barro pela alvenaria, a palha pela telha, o igarapé pela avenida, a carroça pelos bondes elétricos, a iluminação a gás pela luz elétrica, mas também transforma a paisagem natural, destrói antigos costumes e tradições, civiliza índios transformando-os em trabalhadores urbanos, dinamiza o comercio, expande a navegação, desenvolve a imigração”.

Júlio Santos da Silva assevera, em sua dissertação denominada Adoecendo na cidade da borracha: Manaus (1877-1920): “O capital que entrava nos cofres públicos possibilitou aos administradores públicos reformas urbanas na cidade. Ações “para “modernizar” e “embelezar” Manaus faziam parte do rol das novas exigências econômicas e sociais da época”.

http://www.ibge.gov.br/seculoxx/arquivos_xls/populacao.shtm
DIAS, Edinea Mascarenhas – A ilusão do fausto: Manaus, 1890-1920