Madeira-Mamoré, a ferrovia da morte

Em 30 de agosto de 2016 às 08:00.

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Os obstáculos que se opunham à construção daquela estrada eram, sobretudo, as condições climáticas e a natureza do terreno.

A Companhia concessionária foi organizada na Europa e, dizia-se, concluíra que a estrada era inexequível, por ser um terreno pantanoso, alagadiço e, no tempo de cheia do rio, inundado à grande profundidade, além das matas virgens quase impenetráveis, índios ferozes e clima desfavorável.  Os trabalhadores que vieram da América tinham contratos por prazo determinado e ao término deveriam retornar aos Estados Unidos. A empresa concessionária além de não honrar o pagamento dos seus salários, não mantinha a regularidade de fornecimento de viveres, causando descontentamento nos trabalhadores, que, por sua vez, procuravam meios para deixar o serviço e sair de Santo Antônio.

A firma ficou reduzida a um pequeno número de trabalhadores americanos, apenas suficientes para cuidar da conservação do trabalho já executados e do material existente naquele sítio. Alguns dos acionistas da Companhia concessionária não queriam que qualquer recurso fosse aplicado na construção da estrada e o capital destinado a este fim permaneceu depositado em Londres.

Durante 40 anos, as obras começaram e foram interrompidas por três vezes. Trabalhadores de 40 nacionalidades participaram da sua construção: brasileiros, americanos, ingleses, franceses, italianos, russos, alemães, portugueses, dinamarqueses, cubanos, panamenhos, caribenhos, bolivianos, colombianos, venezuelanos e peruanos.

A ferrovia foi inaugurada em 1º de agosto de 1912 e oficialmente 1.552 homens morreram nos últimos 5 anos de construção. Mas existem indicações de que este número bata a marca dos 6 mil trabalhadores. Isso rendeu à estrada o título de Ferrovia da Morte.