• Durango Duarte - Jardim da Infância Visconde de Mauá
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    Jardim da Infância Visconde de Mauá

    Vista do Jardim da Infância Visconde de Mauá, local hoje ocupado pela quadra de esportes do Colégio Amazonense D. Pedro II. In: A instrucção publica no quadriennio do presidente Ephigênio de Salles 1926-1929.

    Após a Proclamação da República, a primeira ação relevante realizada no ensino do Amazonas ocorreu em fevereiro de 1890 com a criação do Instituto Normal Superior, originado da fusão do Liceu com a Escola Normal.

    Essa nova instituição nascia com a missão de preparar professores para as escolas públicas. Entretanto, foi extinta três anos mais tarde pelo governador Eduardo Ribeiro e substituída pelo Gymnasio Amazonense.

    No início da administração do Pensador, em 1892, o asilo Elisa Souto, criado em 1884, também foi desativado e substituído pelo Instituto Benjamin Constant. Em 1893, Manaus possuía 22 escolas – cinco masculinas, seis femininas e onze mistas –, distribuídas por quinze distritos escolares.

    A instalação da Escola Modelo Eduardo Ribeiro, em uma das dependências do Gymnasio Amazonense, ocorreu em 12 de outubro de 1895, mesmo ano em que foram concluídas as obras de três prédios escolares.

    Esses edifícios ficavam, um na rua Municipal, atual avenida Sete de Setembro, outro na Ramos Ferreira, prédio hoje ocupado pela Academia Amazonense de Letras, e o terceiro, na rua José Paranaguá. Em 1896, foi entregue uma quarta escola, na praça Floriano Peixoto (ver Capítulo Praças), bairro Cachoeirinha, que, atualmente abriga a Escola Estadual Euclides da Cunha.

    Devido à necessidade da construção de novos espaços apropriados para o ensino público, associada às dificuldades orçamentárias em fazê-los, em 1897, o governador Fileto Pires sugeriu a criação de grupos escolares.

    A ideia era reunir em apenas um prédio várias escolas isoladas, o que diminuiria os gastos da administração pública e resolveria o problema da falta de locais adequados ao labor educacional. Contudo, somente por meio do Regulamento de 1909, da administração estadual de Antônio Bittencourt, que esse projeto seria oficializado.

    Em 1900, o governador Ramalho Júnior recomendou, em Mensagem ao Congresso Legislativo, que fossem criados jardins de infância – espaços destinados à educação de crianças entre três e sete anos de idade. O primeiro a funcionar seria instalado no Instituto Benjamin Constant, o que não ocorreu.

    Ramalho Júnior ficaria no poder até julho daquele ano. Assim que o seu sucessor, Silvério Nery, assumiu o governo, sancionou um regulamento, que, entre outras ações, deu autonomia à Escola Normal e criou três novas escolas-modelo.

    Dessas escolas, porém, apenas uma chegaria a funcionar de fato, instalada no prédio tipo chalé, na rua Saldanha Marinho. As outras duas – que iriam funcionar no prédio escolar da rua dos Tócos, local atualmente ocupado pela Escola Estadual Cônego Azevedo, e no prédio que foi construído na praça Rio Branco, onde, mais tarde, instalou-se o Grupo Escolar Gonçalves Dias – foram substituídas por escolas isoladas.

    Nos primeiros anos do século XX, já existiam mais de trinta instituições particulares de ensino em Manaus, entre as quais, o Colégio Santa Rita, de Joanna Bananeira Langbeck; o Colégio Santa Clara, de Ignez Vidal do Albuquerque; o Colégio 5 de Setembro, de Maria Theodora Gonçalves da Silva; o Colégio Nossa Senhora de Lourdes, de Francisca M. de Assis; o Colégio Nossa Senhora da Conceição, de Maria Gutierres Valle; o Externato Nossa Senhora das Neves, dirigido por Raimunda das Neves Vieira, e a escola particular no bairro São Raimundo, regida pelo professor Epiphanio José Luiz Monteiro.

    Em 1904, já no fim da administração de Silvério Nery, a Escola Normal foi removida do andar de cima do Gymnasio Amazonense e transferida para o prédio escolar da rua Saldanha Marinho. Lá, dividiu espaço com a Escola Modelo até essa ser extinta, no final daquele ano, em virtude do novo Regulamento instituído pelo então governador Constantino Nery.

    Essa nova reforma criou duas escolas complementares, uma masculina e uma feminina, que serviriam para completar os estudos primários dos alunos que desejavam ascender aos cursos secundários mantidos pela administração estadual. Suas atividades foram iniciadas em janeiro de 1905, com professores da extinta Escola Modelo e do Instituto Benjamin Constant.

    A escola do sexo masculino era dirigida por Agnello Bittencourt e funcionava naquele prédio escolar construído no bairro Cachoeirinha em 1896. Já a do sexo feminino ficou sob a administração de dona Rita Francisca Raposo Fernandes e foi instalada no pavimento superior do Gymnasio Amazonense. Manaus, nessa época, já possuía 42 escolas.

    Em face à quantidade ínfima de alunos que frequentavam as escolas complementares, em 1907, Constantino Nery unificou as duas existentes. Dessa junção, nasceu a Escola Complementar Mista, instalada na escola Públio Bittencourt, nas esquinas das ruas Leovegildo Coelho e dos Andradas – prédio que, em 1914, foi ocupado pela escola Antônio Bittencourt.

    Em 1908, a Escola Normal voltou a fazer uso do andar superior do Gymnasio Amazonense e deixou vago o prédio da rua Saldanha Marinho, ocupado por um grupo escolar. No ano seguinte, surgiram duas importantes instituições de ensino: a Escola Universitária Livre de Manáos (ver Capítulo Instituições de Ensino Superior) e a Escola Municipal de Commercio de Manáos, atual Escola Estadual Solon de Lucena (ver página 175).

    O ano de 1909 marcou também a realização, em 23 de novembro, da primeira exposição pedagógica, ocorrida no Instituto Benjamin Constant.

    Além da instituição-sede, também participaram dessa feira a Escola Normal, a Escola Complementar Mista, os grupos escolares José Paranaguá, Silvério Nery e Saldanha Marinho, a escola isolada do então bairro Constantinópolis, as escolas da rua Municipal e uma escola da cidade de Manacapuru.

    Em 1910, a Superintendência Municipal criou mais uma escola primária noturna, localizada na avenida Ayrão. A Escola Complementar Mista, em 1913, foi incorporada à Escola Normal e recebeu a denominação de Curso Anexo, o qual serviria como uma escola de aplicação onde seria oferecido o exercício prático aos futuros professores.

    Cinco anos depois, esse curso foi transformado em um grupo escolar anexo, sendo instalado no pavilhão de ginástica do Gymnasio Amazonense.

    Também em 1913, foram criadas as duas primeiras escolas diurnas municipais: uma no bairro São Raimundo, dirigida pela professora Maria Neves de Menezes, e a outra, na Vila Municipal, da mestra Rosa Pinheiro. Até essa época, a administração municipal mantinha oito escolas, as quais estavam instaladas nos bairros mais populosos da Cidade.

    Em 1919, quando aquele grupo escolar anexo à Escola Normal passou a ser chamado Barão do Rio Branco, ele deixou o pavilhão de ginástica e voltou a funcionar no andar superior do prédio do Gymnasio.

    O pavilhão, ora ocioso, foi adaptado para receber, no ano seguinte, a instalação do primeiro jardim de infância de Manaus – o Visconde de Mauá –, dirigido por Maria Araripe Monteiro.

    Em comemoração ao Primeiro Centenário da Adesão do Amazonas à Independência do Brasil, realizou-se, entre 9 e 13 de novembro de 1923, na sede da Universidade de Manáos – que, àquela época, funcionava na avenida Joaquim Nabuco – a 1ª Conferência de Ensino do Amazonas.

    Várias delegações de professores, do ensino primário ao superior, fizeram parte dessa convenção. A Conferência culminou com a fundação da Associação Amazonense dos Professores, cujo presidente era Vicente Telles de Souza Júnior.

    Em 1924, de acordo com os números da Diretoria-Geral da Instrução Pública, existiam 75 escolas públicas na área urbana de Manaus, das quais onze eram isoladas. As 64 restantes estavam reunidas nos grupos escolares Barão do Rio Branco, Silvério Nery, José Paranaguá, Gonçalves Dias, Antônio Bittencourt, Saldanha Marinho, Marechal Hermes, Cônego Azevedo, Olavo Bilac, Machado de Assis e no Instituto Benjamin Constant. Entre 1925 e 1926, foram criados mais dois grupos escolares: o Presidente Bernardes e o Guerreiro Antony.

    O intendente Sérgio Rodrigues Pessoa, em 1927, pela Lei 1.444, determinou que as escolas municipais sem denominação recebessem a nomenclatura de antigos professores da Cidade, como Nicolau Tolentino, Saturnino Antunes, Pedro Henriques, Agostinho Hermes, Caetano Simpson, Pedro Marinho e os padres Torquato de Souza, João Antônio e Manoel Barreto. As que já possuíam denominação continuariam com os mesmos nomes.

    Ao final da década de 20, funcionavam na Capital as seguintes instituições particulares de ensino, entre colégios    e escolas: Acadêmica, Pedro Américo e São José, situados na avenida Joaquim Nabuco; Dom Bosco, na avenida Sete de Setembro, hoje, Epaminondas; Moderna, Progresso e Santo Antônio Commercial School, as três, na atual Sete de Setembro; Remington, na rua 24 de Maio; São Luiz de Gonzaga, na rua Doutor Machado; União Operária, na rua Quintino Bocaiúva, e Instituto Universitário Amazonense, na rua Doutor Moreira.

    Também compunham essa lista: São João de Deus, na praça São Sebastião; Luso Amazonense, na rua Barroso; Moderno, na rua Marcílio Dias; Monteiro de Souza, na rua Silva Ramos; Nossa Senhora do Carmo, na rua Costa Azevedo; Nossa Senhora de Nazareth, na rua Monsenhor Coutinho; Pestalozzi e São Vicente de Paulo, ambas na avenida Eduardo Ribeiro; Rayol, na rua Ferreira Pena; Sagrado Coração de Jesus, na praça Dom Pedro II; Sant’Anna, na rua Luiz Antony, e a Escola de Comércio Senador Lopes Gonçalves, na rua Henrique Martins.

    Em relação à Escola Lopes Gonçalves, vale destacar que ela foi criada em 11 de novembro de 1924 pela Associação de Empregados no Comércio do Amazonas, atual Sindicato dos Empregados no Comércio de Manaus.

    Nos dias de hoje, a Escola está desativada, sendo que o prédio em que funcionou antes de fechar, na rua Dez de Julho, foi adquirido pela Federação do Comércio do Estado do Amazonas – Fecomércio-Am, onde se pretende instalar, futuramente, a Faculdade Tecnológica Senac Senador Lopes Gonçalves.

    Imagem e texto retirados do livro Manaus, entre o passado e o presente do escritor Durango Duarte.

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