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    Igreja de São Sebastião (2)

    Vista da fachada principal da igreja de São Sebastião, com a praça de mesmo nome à sua frente. À esquerda, o Teatro Amazonas. Foto: Thiago Duarte.

    A primeira capela de São Sebastião erguida em Manaus data de 1859, ano em que aqui chegaram os missionários franciscanos, da Irmandade de São Sebastião. Era uma ermida em madeira, coberta de palha, instalada nos fundos do terreno onde esses religiosos residiam, na antiga rua Conde D’Eu, atual Monsenhor Coutinho, Centro.

    A referência mais antiga acerca do início da construção da igreja que existe atualmente é de 1868, quando o presidente provincial Leonardo Ferreira Marques, em seu Relatório de passagem de governo, de 26 de novembro daquele ano, diz que a obra da capela de São Sebastião, contratada junto a Leonardo Malcher, iria ser iniciada.

    Apesar da afirmativa daquele presidente, somente em 1870 – com a chegada do frei Jesualdo Macchetti de Lucca –, que as obras realmente começaram. Aliás, sobre esse missionário, vale ressaltar que ele faleceu em 11 de junho de 1902 e foi enterrado no cemitério São João Batista. Três décadas depois, em 27 de abril de 1933, os seus restos mortais foram trasladados para a igreja que ele ajudara a construir.

    A planta da nova igreja foi organizada por Sebastião José Basílio Pyrrho, o mesmo que projetou a atual Matriz de Nossa Senhora da Conceição.

    Com o templo ainda em obras, em maio de 1877, o presidente da Província, Domingos Monteiro Peixoto, autorizou a utilização de materiais que sobraram das obras da atual Matriz para o erguimento da nova igreja de São Sebastião.

    Sete anos depois, em 24 de setembro de 1884, contratou-se Ambrósio Bruno Candis para a construção do teto, das cimalhas, do estuque, dos forros das abóbadas e dos altares.

    Entretanto, em outubro de 1886, Candis retirou-se da Cidade e deixou a igreja inacabada. Seu contrato foi rescindido no ano seguinte, em 21 de janeiro de 1887, e a obra foi assumida pela Repartição de Obras Públicas.

    Superadas essas dificuldades, a igreja foi inaugurada em 7 de setembro de 1888, mas, somente com uma torre. Por volta de 1890, ainda houve a tentativa de se construir a segunda, o que não chegou a acontecer.

    Frei Fulgêncio Monacelli, em matéria publicada no jornal A Crítica, de 7 de julho de 1988, afirmou que existem três hipóteses para o fato de a igreja ter somente uma torre.

    A primeira diz que as igrejas frequentadas por escravos possuíam uma única torre para distinguí-las das visitadas pelos ricos. Já a segunda, fala que o navio que transportava a   peça da Europa para Manaus tinha afundado. A última – e mais aceitável segundo aquele frei – é a que o terreno oferecia pouca estabilidade e, por isso, os engenheiros da época houveram por bem não aumentar o peso da edificação.

    Em 15 de agosto de 1906, a igreja foi entregue aos Capuchinhos Lombardos, da Itália. Em 14 de setembro de 1909, com a saída destes para a missão do Pará, foram substituídos pelos também italianos Capuchinhos da Umbria.

    A elevação canônica dessa Igreja à categoria de Paróquia ocorreu em 8 de setembro de 1912 – dia em que se comemora o nascimento de Nossa Senhora. Seu primeiro vigário foi o padre frei José Massi de Leonissa.

    Cinco anos depois, os capuchinhos compraram o terreno situado por detrás do templo para que ali fosse construída a residência dos padres, a qual serviria também para receber os missionários enfermos.

    A Intendência Municipal, em 1921, aprovou a Lei 1.075, de 29 de março, que autorizou o então superintendente Sérgio Pessoa a adquirir um relógio e o instalá-lo na torre da igreja.

    O prédio da capela de São Sebastião, localizado na rua Dez de Julho, Centro, foi tombado como Monumento Histórico do Estado em 12 de abril de 1988 (Decreto 11.038). O dia dedicado a esse Santo é 20 de janeiro, data em que são realizadas a tradicional procissão e a missa campal.

    Imagem e texto retirados do livro Manaus, entre o passado e o presente do escritor Durango Duarte.

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