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    Hospedaria de Imigrantes em construção

    Hospedaria de Imigrantes em construção. In: Album do Amazonas 1901-1902.

    Em 1897, na administração estadual de Fileto Pires, o Governo Estadual foi autorizado a adquirir o terreno de propriedade de João P. Machado – área situada na margem direita do rio Negro, em Paricatuba, hoje, um distrito da cidade do Iranduba – para construir a Hospedaria de Imigrantes.

    As obras desse prédio foram iniciadas em 1898 e concluídas somente em 1905 pelo governador Antônio Constantino Nery, porém, não mais destinado a uma hospedaria, mas sim, a um instituto agrícola industrial denominado Affonso Penna, que ali funcionou até 1914.

    Em 1916, devido às condições precárias da Casa de Detenção, na avenida Sete de Setembro, local ocupado atualmente pela Penitenciária Raimundo Vidal Pessoa, o prédio do Paricatuba recebeu a transferência dos presos que estavam confinados naquele presídio – que lá permaneceram até 1925, quando foram transferidos de volta ao lugar de origem.

    Um ano antes, pelo Decreto 1.479, de 1º de julho de 1924, o prédio do Instituto Affonso Penna e os terrenos adjacentes já haviam sido repassados à Diretoria de Serviço Sanitário, a cargo da Comissão de Profilaxia Rural, para nele ser construído um lazareto onde seriam instalados os infectados pela lepra que estavam na colônia do Umirisal, próximo ao hospital dos variolosos.

    Contudo, o presidente do Estado, Ephigênio de Salles, não concordou em “sacrificar” aquele valioso prédio e decidiu, em 1926, construir um leprosário modelo, no sistema de vila, em um lugar denominado Paredão, situado na margem esquerda do rio Negro, a nove quilômetros de Manaus por via fluvial, próximo a confluência do rio Solimões com a ilha de Marapatá.

    Essa vila-leprosária, que recebeu a denominação Belisário Penna em homenagem ao mineiro Belisário Augusto de Oliveira Penna, médico sanitarista, foi inaugurada em 28 de novembro de 1929, mas sem nunca ter recebido nenhum doente, sendo, posteriormente, destinada a outro fim.

     Decorridos dois anos, no governo interventorial de Álvaro Botelho Maia, o prédio localizado em Paricatuba recebeu melhoramentos e foi adaptado para um hospital de hansenianos. Com capacidade para trezentos enfermos, a inauguração desse leprosário, que também recebeu a nomenclatura Belisário Penna, ocorreu em 14 de junho 1931 e seu funcionamento se estendeu até a década de 60.

    Atualmente abandonado, esse prédio centenário, construído com material europeu e destinado, em sua gênese, para a hospedagem de imigrantes, é conhecido, hoje, como Ruínas de Paricatuba. Há possibilidades de ele ser revitalizado e transformado em um memorial, pois Paricatuba é o ponto de partida do Programa de Desenvolvimento Sustentável do Gasoduto Coari-Manaus e será uma das localidades que irão receber benefícios desse projeto socioeconômico e ambiental.

    Imagem e texto retirados do livro Manaus, entre o passado e o presente do escritor Durango Duarte.

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