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    Gymnasio Amazonense

    Edifício do Gymnasio Amazonense. In: The News Brazil, 1907. Marie Robinson Wright.

    O Colégio Amazonense D. Pedro II, mais conhecido como Colégio Estadual, foi criado por meio do Regulamento 13, de 31 de agosto de 1864, na administração do presidente da Província, Adolfo de Barros Cavalcante de Albuquerque Lacerda. À época de seu surgimento, utilizava a nomenclatura Liceu Provincial Amazonense e funcionava nas dependências do Seminário Episcopal de São José de Manaus. Foi a primeira escola pública de ensino secundário do Amazonas.

    Apesar de localizar-se dentro de outra instituição, o Liceu tinha administração autônoma; no entanto, apresentava mais características de curso anexo do Seminário do que, de fato, um estabelecimento de ensino independente. Tanto que, em 1865, o Regulamento 16 separou, oficialmente, o curso Secundário do Liceu do que era oferecido pelo Seminário.

    Sua fundação efetiva ocorreu somente em 14 de março de 1869, por meio do Regulamento 18, sancionado por João Wilkens de Mattos. Essa mesma lei também restabeleceu ao diretor da Instrução Pública a responsabilidade pela regência do Liceu. À época, o responsável pela Pasta de Educação na Província era José Maria de Albuquerque Mello, portanto, o primeiro diretor do Liceu recém-reconhecido.

    No início da década de 70 do século XIX, o Liceu passou   a funcionar em um prédio alugado, situado na rua Cinco de Setembro, atual Henrique Martins, esquina com a travessa da Imperatriz, atual rua Lobo D’Almada.

    Em 19 de março de 1871, foi inaugurada, em suas novas instalações, uma sala de leitura, que serviria de núcleo para a Biblioteca Pública da Província. Três anos depois, o Liceu iniciou o ano letivo instalado em novas dependências: no Palacete Provincial, na praça 28 de Setembro, atual Heliodoro Balbi.

    O ensino secundário oferecido pelo Liceu recebeu, em 1877, a inclusão da Cadeira de Pedagogia, ou Curso Normal. Em 1880, volta para o prédio que pertencia ao Seminário, na então praça da Imperatriz, ex-largo da Olaria. Nesse mesmo ano, o presidente da Província, Sátyro de Oliveira Dias, aprovou a construção da sede própria desse Colégio, na rua Municipal – antiga rua Brasileira e atual avenida Sete de Setembro.

    A pedra fundamental do prédio foi lançada em 25 de março de 1881, nas comemorações do Aniversário da Constituição de 1824. Em 1882, o presidente José Paranaguá reformou a Instrução Pública e incorporou o Liceu à Escola Normal.

    Com essa unificação, em 15 de junho de 1882, a escola de ensino secundário foi transferida para o prédio em que o colégio normalista estava instalado, no então largo do Quartel – atual praça D. Pedro II –, esquina com a rua Governador Vitório.

    O Regulamento 54, de 1884, inverteu o status desses dois estabelecimentos de ensino. O Liceu tornou-se a instituição principal e passou a chamar-se Lyceu Polytechnico, enquanto que a Escola Normal foi transformada em anexo.

    Essa norma determinava, ainda, que, no prédio que estava sendo construído para abrigar o Liceu, também funcionassem, a Diretoria da Instrução Pública e a Biblioteca Provincial. A sede definitiva do Liceu, cuja planta é de autoria de Dionísio Cerqueira, foi inaugurada no dia 5 de setembro de 1886 e as suas aulas iniciaram em 21 de janeiro de 1887.

    Em 1888, o Museu Botânico foi transferido do palacete do Barão de São Leonardo, na rua Ramos Ferreira, para o porão do prédio do Liceu e ficou nesse local até ser desativado pela primeira vez, em 1890. Nesse mesmo ano, ocorreu, também, a criação do Instituto Normal Superior, resultado da fusão entre Liceu e Escola Normal e destinado à formação de professores.

    O Instituto Normal Superior teve apenas três anos de existência e foi substituído pelo Gymnasio Amazonense – nova denominação do antigo Liceu –, criado pelo Decreto Estadual 34, de 13 de outubro de 1893. Mais uma vez, o Curso Normal tornava-se anexo do Secundário. A medida atendia às novas normas federais de ensino, que exigiam a separação entre os cursos científicos e técnicos.

    Por esse mesmo decreto, o regime de ensino do nosso ginásio foi adequado aos moldes do Gymnasio Nacional, sediado na cidade do Rio de Janeiro (à época, Capital Federal), o que assegurava aos alunos do Gymnasio Amazonense a possibilidade de ingressar nas escolas de ensino superior da mesma forma que os estudantes daquele colégio carioca – atualmente denominado Colégio Pedro II.

    Em 12 de outubro de 1895, o recém-criado ginásio recebeu, em uma de suas salas, a instalação da Escola Modelo Eduardo Ribeiro, anexada ao Curso Normal e que durou até 1897. Por meio de um novo regulamento instituído em 1900, a Escola Normal adquiriu autonomia administrativa em relação ao Gymnasio e passou a ocupar o segundo andar do prédio do colégio secundarista, onde permaneceu até 1903.

    Com a saída da escola normalista do 2º piso do Gymnasio, o espaço foi ocupado, entre os anos de 1905 e 1907, pela Escola Complementar Feminina. Em 1908, porém, a Escola Normal, que funcionava no prédio escolar da rua Saldanha Marinho, voltou a ocupar as dependências do Ginásio.

    Por meio da Lei Orgânica do Ensino Superior e do Ensino Fundamental da República, de 5 de abril de 1911 – também conhecida como Reforma Rivadávia Corrêa –, os cursos ginasiais dos demais Estados deixaram de ser equiparados ao Gymnasio Nacional, do Rio de Janeiro. Por esse motivo, os alunos do Gymnasio Amazonense perderam o direito de ingressar nos cursos superiores oferecidos no País.

    Em 30 de junho de 1915, o governador Jonathas Pedrosa, por meio do Decreto 1.117, suspendeu as aulas do Ginásio por motivo de um desentendimento ocorrido entre os alunos e o corpo docente dessa escola, o que ocasionou a depredação do prédio da rua Municipal pelos ginasianos. As atividades foram retomadas somente em 31 de março do ano seguinte.

    O Estatuto do Gymnasio Amazonense foi reformulado em 1920, em atendimento à Lei Federal Carlos Maximiliano, de 10 de março de 1915, que restabelecia a equiparação das instituições estaduais com as federais. Dessa forma, os alunos do   ginásio estadual voltaram a ter as mesmas regalias dos estudantes do Collegio Pedro II.

    Para homenagear o último imperador do Brasil, em 28 de novembro de 1925, o Gymnasio Amazonense recebeu o aposto Pedro II, denominação que perduraria até 19 de fevereiro de 1938, quando sua nomenclatura voltou a ser Ginásio Amazonense devido à recomendação do Ministério da Educação, que considerava o nome Pedro II como sendo de exclusividade daquele colégio fluminense.

    Devido ao momento de instabilidade política e econômica vivido pelo País em 1930, em Manaus, os alunos do Ginásio Amazonense que eram favoráveis a Getúlio Vargas sofriam perseguições da Polícia Civil.

    O auge dessa disputa entre a força policial e os ginasianos ocorreu em 12 de agosto, quando os policiais subiram as escadarias do Colégio para prender os estudantes. Em protesto, o movimento estudantil realizou a chamada Revolução Ginasiana de 30, que culminou com a rendição da força policial e a ocupação do prédio do Quartel da Polícia pelos estudantes.

    Uma nova mudança de denominação ocorreu em 14 de outubro de 1942, quando o ginásio passou a chamar-se Colégio Amazonense. No ano seguinte, em 19 de abril, mudou outra vez de nomenclatura: Colégio Estadual do Amazonas – CEA. Em 3 de maio de 1945, fundava-se a Associação Atlética do Colégio Estadual do Amazonas.

    No ano de comemoração do centenário do ginásio, em 1969, uma determinação do Conselho Estadual transferiu as comemorações de 14 de março – data em que o Colégio foi efetivamente criado – para 2 de dezembro, por ser esse o dia do nascimento do imperador D. Pedro II. Seis anos mais tarde, em 3 de dezembro de 1975, adotou-se o nome Colégio Amazonense D. Pedro II, utilizado até os dias de hoje.

    Em 1988, por meio do Decreto 11.034, o prédio desse ginásio – com dois andares, dezoito salas de aula e um anfiteatro – foi tombado como Monumento Histórico do Estado. Sua última reforma ocorreu entre 2007 e 2008.

    Desde 2007, o Colégio Estadual disponibiliza, em parceria com o Centro de Educação Tecnológica do Amazonas – Cetam, os cursos técnicos optativos de Informática Industrial e de Segurança do Trabalho. Ambos têm duração de dois anos, com duas turmas pela manhã e duas a tarde.

    O centenário Colégio Amazonense D. Pedro II funciona, atualmente, como uma Escola-Piloto de Ensino Médio.

    Imagem e texto retirados do livro Manaus, entre o passado e o presente do escritor Durango Duarte.

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