A exposição do senhor José Armando Mendes

Em 24 de janeiro de 2017 às 08:00.

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Pensando na perenidade de um ciclo, o amazonense empavonava-se com opiniões como a do diretor da The India Rubber World, de Nova York, que afirmava: “a sua bem defumada borracha é a melhor do mundo”, entretanto a extração do látex das seringueiras do Amazonas, além de destruírem as árvores e a saúde dos trabalhadores, vinha acompanhada de enorme perda de tempo e de energia, tornando o seu custo elevado. A indústria silvestre da borracha trouxe fausto, glamour e desenvolvimento ao Amazonas por um limitado período, depois se retirou e deixou o estado mergulhado em profunda depressão.

A exposição do senhor José Armando Mendes, datada de 15 de junho de 1920, teve grande relevância, incumbido que fora de representar o governo do estado do Amazonas, as Associações Comerciais do Amazonas e Pará e a Delegacia Fiscal do Mato Grosso, junto ao governo federal. A intenção era pleitear medidas econômicas e financeiras, imprescindíveis para a sobrevivência da indústria e comércio da Amazônia, com a adoção de medidas que ajudassem o Norte do país a superar o cenário devastado da produção de borracha silvestre, uma vez que, naquele momento histórico, as plantações orientais atingiam 340.000.000 quilos, dos 380.000.000 quilos necessários ao atendimento da demanda mundial, um déficit de 40.000.000 quilos. O senhor Mendes lembrou a depressão econômica porque passava a região, sua imensidão geográfica e participação no orçamento geral do país. Apelava não somente para o apoio na questão da borracha, mas para o crédito, transporte e legislação que estimulasse a exploração de produtos oriundos do solo.