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    Eis aí um artista

    Boêmio, mesmo sem violão. Vagabundo no bom sentido, sem a mais leve sombra do pejorativo. Dizem que nasceu fora de época, com atraso de muitos anos, deixando assim, de ser o precursor do modernismo. Pinta, desenha e faz escultura. Com perfeição e talento, preferindo motivos amazônicos. O que lhe dá autenticidade. Tem nome que ajuda: Afrânio Mavignier de Castro. Melhor ficaria na carreira diplomática. Mas estragaria o homem, que prefere viver na rua e dizer o que quer e o que sente. Desenhando, pintando, esculpindo. Um dia vendeu um quadro, fiado, a um turista americano que havia alisado em Manaus. Mais de seis meses depois recebeu pelo correio a fortuna de trezentos dólares. O gringo (tratamento para estrangeiro liso) era o reitor da Universidade de Nebrasca. Vendeu, este ano, 326 telas. Vive da arte, contrariando os pessimistas que não acreditam que possa alguém viver assim em Manaus. Tem nome em placa de bronze na Academia de Letras, onde seu pai é imortal. Fez os bustos de Rui Barbosa, que está no Silogeu e de Beethoven, lá no Teatro. Fazendo “ponto” em várias esquinas, estaciona as vezes, no Jardim da Polícia. Para sentir a natureza e conversar com os amigos. No Clube da Madrugada é gente destacada. Não é de carnaval, mas gosta do samba “Bafo de Onça”. Que lhe serve regularmente de característica…

    Coluna A Cidade em Foto do Jornal A Gazeta de 28 de dezembro de 1963.

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