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    E o circo chegou

    Coluna A Cidade em Foto do Jornal A Gazeta de 04 de março de 1964.

    Já longe vai o tempo em que o circo era original. De qualquer tipo; daqueles de um mastro só, onde o espetáculo teatral era ponto elevado, até os de picadeiros amplos, com trapezistas, bailarinas japonesas dançando no arame, anões legítimos, mulher barbada, etc. havia os de bichos, chamados de zoológicos, com leão, elefante e outros animais. Como o que nos visitou e deixou seus cavalinhos servindo para carregar carvão, e a lhama – coitada! –  que morreu no abandono e única testemunha visual daquele escândalo do furto das pedras de isqueiro e outras coisas da Alfandega de Manaus. Armado onde está este que agora nos visita. Grandes circos já nos visitaram, armando suas lonas na Praça Pedro II (onde está o IAPETEC), na Praça da Saudade, na Cachoeirinha, na Praça 14 ou no terreno Capitania. Uns trazem orquestra. Outros apresentam apenas uns mambembes. Mas a meninada gosta, embora o circo já tenha perdido muito de sua originalidade. Aquele senta! Senta! Sentou! Partido do poleiro para os espectadores das cadeiras. Ou o “galope”, característica musical dos circos. Ou da propaganda: “Hoje tem espetáculo? Tem, sim senhor! Às 9 horas da noite? É sim, senhor! E o palhaço o que é?”. Para encontrar a invariável resposta: “é ladrão de mulher!”. Apesar dos números repetidos, das graças já manjadas dos palhaços, das sensações conhecidas, o circo ainda é um mundo à parte. Onde vive gente de vida diferente, quase nômade, que sente satisfação em ser assim, que vibra e se entusiasma em cada espetáculo. O circo, por dentro só pode ser entendido por essa gente simples, que se diverte divertindo os outros. Que sabe fazer rir mesmo embora, às vezes, tenha vontade de chorar. E é por isso que até hoje ainda se diz que “alegria de palhaço é ver o circo pegar fogo”.

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