A conquista da floresta em busca da seringa

Em 24 de maio de 2016 às 08:00.

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O trabalho preliminar de abertura de um seringal, quando novo, é a localização das árvores ou grupos de árvores na floresta, serviço feito pelo “toqueiro” e o “mateiro“. O primeiro, partindo geralmente da margem ou da foz de um rio, embrenha-se na selva, assinalando as árvores que vai procurando e encontrando.

A ele segue o mateiro que abre uma picada ou “estrada” ligando as árvores identificadas. Atingindo número suficiente para uma “estrada“, estabelece-se no ponto de partida o seringueiro, com a sua cabana, a família, os apetrechos de extração, armas, facas, tijelinhas, balde, fogareiro; defumador e bacia.

Cada “estrada” pode possuir, geralmente, de 150 a 200 árvores, dispostas em grande extensão, devido à pouca densidade de seringueiras por hectare.

Antes de cobrar impulso à plantação em alta escala no último quartel do século dezenove, todas as borrachas provinham de plantas selvagens, exploradas no seu habitat, primeiramente na Amazônia e depois também na África Central.

A produção dessas regiões, todavia, era forçosamente limitada pelas condições de extração. O crescimento incessante das necessidades despertou, pois, nos povos industriais a ideia de obter borracha por processos mais aperfeiçoados, que permitissem produção em escala maior a custo menor.

De outro lado, os métodos desumanos que se diziam usados pelos extratores de borracha causaram grande celeuma.

Vários países protestaram, por exemplo, contra autoridades belgas acusadas de, no Congo (posteriormente Zaire, hoje República Democrática do Congo), torturar os nativos que extraiam a borracha, decepando-lhes as mãos ou obrigando-os a comer a goma, quando de má qualidade.

Outras atrocidades se contam. Pouco antes da Primeira Guerra Mundial, o Congresso Americano levou a efeito uma investigação sobre o regime de escravatura a que constava estarem sujeitos os indígenas que trabalhavam nas florestas do Peru.

No Brasil, igualmente, abundam as crônicas em episódios dramáticos a denotar a rudeza da conquista da floresta, em busca da seringa, ilusão descompassada de riqueza, que breve se desfez, nada restando senão os destroços de uma era demasiado aventurosa para resistir ao tempo e ao progresso.