Charles-Marie de La Condomine, o descobridor da borracha

Em 2 de abril de 2016 às 07:00.

compartilhe

No princípio do século XVII, Antonio de Herrera Tordesilhas (1601), sobre as bolas, assim descreveu: “Elas eram preparadas com uma seiva branca de árvores que cresciam em regiões mais quentes, esta seiva endurecia e adquiria uma cor como breu, e quando jogadas ao chão pulavam várias vezes. ” Outra descrição por ele feita dizia que as bolas pulavam como se tivessem um coelho dentro delas. Outros relatos de conquistadores mencionavam o uso de peças de goma em cerimônias religiosas e jogos lúdicos.

No século seguinte um dos assuntos mais litigiosos no meio científico da Europa, era se a figura da terra tinha a forma de um “esferoide prolato” inchado nos polos, como acreditava René Descarte, ou se tinha os polos achatados, sob a forma de elipsoide, como pensava Issac Newton. Era necessário medir com precisão o arco do meridiano em altas latitudes, de um lado e do outro do equador.

Para a missão geodésica que calculasse o diâmetro de terra e desse um ponto final a esse debate, em 1735, a Academia Francesa de Ciências, sob os auspícios do Rei de França, organizou duas expedições, uma para Lapland (Lapônia), Finlândia, outra para Quito, então vice-reino do Peru, hoje Equador.

Dentre os nove renomados cientistas da Academia que para a nossa América vieram, estava Charles-Marie de La Condomine. A expedição que desembarcou na Colômbia, chegou a Quito no dia 04 de junho de 1736.

As novidades e perspectivas proporcionadas pelo distante Continente estimularam La Condamine a querer muito mais do que apenas o propósito de sua viagem. Poderia melhorar sua reputação na comunidade cientifica da Europa, queria notoriedade.

Assim pensando, La Condamine passou a escrever suas observações geográficas, astronômicas, biológicas e etnográficas das regiões por onde passou, e também se interessou pela fauna e flora desconhecidas. Da fauna passou a recolher espécimes; da flora a se informar sobre as propriedades e usos de sucos, extratos, resinas, dentre estes, o látex. Tanto que, em 1736, coletou amostras de borracha de Castilla, em Quito, e as enviou para Paris, com a informação que os índios Maina a chamavam caoutchouccaa (madeira), e o-chou (escorre ou goteja).

Entre 1736-1744, La Condamine excursionou pelo Brasil. Em sua viagem Rio Amazonas abaixo, conheceu o pau-seringa e o confundiu com Castilla. Apesar de admitir que o método de preparo da borracha utilizado pelos índios e por ele investigado não vingaria na Europa, vislumbrou a hipótese de que o estudo de suas propriedades e suas aplicações práticas poderiam proporcionar bons resultados.