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    Cemitério São José

    Vista do antigo Cemitério São José. In: Relatório do superintendente municipal Arthur César Moreira de Araújo, 1901.

    O Cemitério São José foi construído entre as ruas Ramos Ferreira, Luiz Antony, estrada de Epaminondas e o então beco dos Inocentes, atual rua Simón Bolívar, em um terreno de mais de oito mil metros quadrados, onde hoje existe o Atlético Rio Negro Clube. Ficava de frente para a área que depois foi ocupada pela praça Cinco de Setembro (da Saudade).

    Recebeu seu primeiro inumado em 7 de março de 1856:  o corpo do comerciante cearense João Fleury da Silva, falecido aos 44 anos de idade. Nessa época, o local ainda não possuía cerca e nem capela, pois, em 1857, em Mensagem à Assembleia Provincial, o presidente João Pedro Dias Vieira lamentou não ter conseguido realizar essas obras pela falta de operários e devido às constantes chuvas.

    Somente em 1858 que o seu sucessor, Francisco Furtado, mandou cercar com madeira a área dessa necrópole e erguer uma pequena ermida no centro do terreno. Essas obras foram concluídas em 1859, ano em que trasladou-se a imagem de São José, do Seminário para a capela do Cemitério. Ao todo, em seus três primeiros anos de funcionamento, esse campo santo já havia recebido quase quatrocentos  enterros.

    O contrato para a construção do muro em alvenaria e para a colocação do gradil e do portão de ferro na frente do Cemitério

    – na estrada de Epaminondas –, foi firmado em 1866 com Raimundo José de Sousa. Em 1875, o presidente da Província, Domingos Monteiro Peixoto, já reclamava da necessidade de se construir outro campo santo, em razão deste não mais oferecer condições para receber inumações.

    Essa situação de precariedade continuaria por mais de dez anos, pois, em 1887, a Inspetoria de Higiene Pública sugeriu que os sepultamentos no São José fossem transferidos para    o cemitério dos variolosos, localizado na margem direita do igarapé da Cachoeira Grande, em uma área conhecida, à época, como morro do Seminário.

    No entanto, o Governo Provincial, por não dispor de verba suficiente para a construção nem de uma capela nesse novo cemitério e nem de uma ponte que o ligasse a Cidade, mandou, em 19 de outubro de 1887, que se ampliasse a necrópole da estrada de Epaminondas para o norte, possivelmente, para o lado onde ficava o beco dos Inocentes. Ao campo santo situado no morro do Seminário caberia, apenas, o sepultamento de vítimas de epidemias.

    No ano seguinte, devido ao mau estado em que se encontrava a igrejinha do Cemitério São José, ela foi escorada e a imagem do santo e os ornamentos sagrados, recolhidos à capela do hospital da Santa Casa de Misericórdia. Vale ressaltar que essa instituição já administrava essa necrópole desde 16 de agosto de 1880, conforme Lei Provincial 451-A, de 14 de abril desse mesmo ano.

    Ao final de 1888, a área que havia sido ampliada no ano anterior já estava totalmente ocupada. Tanto que, a partir de 13 de dezembro desse mesmo ano, data em que o cemitério São Raimundo (dos variolosos) iniciou suas atividades como necrópole pública,  não  mais  foi  anotada  nenhuma nova inumação no Cemitério São José até 16 de julho de 1890, dia em que recebeu o último enterramento que se tem registro oficial: o do jovem Sebastião Gentil de Faria e Sousa, de 16 anos de idade. Em 1891, por meio do Decreto Estadual 95, de 2 de abril, o governador Eduardo Ribeiro proibiu, “em definitivo”, que fossem abertas novas sepulturas nesse Cemitério.

    Como a primeira capela desse campo santo era de madeira e, em face às condições precárias que sua estrutura se encontrava, em 31 de março de 1892, houve o lançamento da pedra fundamental da construção de outra capela, em substituição à original.

    Dois anos depois, a administração estadual aceitou a recomendação da Inspetoria de Higiene Pública em transformar a necrópole do São José em um jardim. Os mausoléus e os restos mortais ali existentes seriam transferidos para o cemitério São João Batista. Entretanto, essa ideia do jardim somente seria executada na década de 30.

    Em 13 de março de 1901, o cônego José Henrique Felix da Cruz Dacia pediu à Prefeitura – que assumiu a responsabilidade pelas necrópoles de Manaus em 1891 – autorização para realizar missas e outras atividades religiosas na capela desse Cemitério, em atendimento ao pedido das famílias que possuíam entes enterrados naquele local.

    O Executivo Municipal, em 1926, solicitou a presença dos responsáveis pelos túmulos perpétuos existentes no São José para que firmassem um acordo de remoção desses mausoléus para o cemitério São João Batista.

    Seis anos depois, o prefeito Emmanuel de Moraes concluiu o ossuário no São João Batista destinado aos restos mortais que foram removidos do São José e que não possuíam reclamantes. Nesse mesmo ano, por meio do Decreto Municipal 84, de 17 de maio de 1932, o gradil da frente dessa necrópole foi cedido, por permuta, para o Colégio Dom Bosco.

    Ainda em 1932, a área desse campo santo começou a ser transformada em um jardim denominado São José (ver Capítulo Praças). Teve apenas seis anos de existência, pois, em 1938, o terreno desse jardim foi doado ao Atlético Rio Negro Clube, que ali construiu a sua sede social, existente até hoje.

    Imagem e texto retirados do livro Manaus, entre o passado e o presente do escritor Durango Duarte.

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