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    Cemitério Parque de Manaus

    Vista da entrada do cemitério. Foto: Durango Duarte.

    Na década de 70, as necrópoles de Manaus estavam em estado crítico devido à explosão demográfica ocorrida na Capital – impulsionada, principalmente, pela criação da Zona Franca.

    Os cemitérios São João Batista, no bairro Nossa Senhora das Graças, e Santa Helena, no São Raimundo, recebiam somente enterramentos em jazigos perpétuos. O único campo santo que ainda possuía área para abertura de novas sepulturas era o São Francisco, no Morro da Liberdade, mas que, também, já apresentava carência de espaço.

    A administração municipal, para sanar o problema, passou a desenvolver estudos com o objetivo de encontrar um local adequado à construção de um cemitério modelo. No início de 1974, a Secretaria de Obras do Município anunciou que havia encontrado dois locais para a nova necrópole.

    Um deles compreendia uma parte do terreno da antiga empresa de tecelagem Brasiljuta e o outro, ficava na estrada do Tarumã, próximo à praia da Ponta Negra, área que seria a escolhida para a edificação da nova necrópole. Os trabalhos de terraplenagem desse local foram iniciados em 1975, sob a responsabilidade da construtora Endeco.

    A proposta original para esse cemitério-parque – projetado pelo arquiteto Antônio Leitão – era a de um campo raso com jardins, onde as sepulturas seriam cobertas com uma lápide de concreto e marcadas com placas metálicas, estilo que não contemplava as tradicionais cruzes e os jazigos existentes nas necrópoles convencionais.

    Em setembro desse mesmo ano, após relatório que apontava estar o cemitério São Francisco com apenas sessenta vagas disponíveis, e, com as obras do cemitério-parque ainda em andamento, o então prefeito Jorge Teixeira mandou que se preparasse, em caráter de urgência, uma quadra dentro da área do novo campo santo, a qual receberia, provisoriamente, os enterramentos da Capital. Era intenção do administrador da Cidade transferir essas sepulturas para outro espaço, depois de concluída a necrópole do Tarumã.

    Menos de um ano depois, em agosto de 1976, essa área emergencial, mandada abrir por Jorge Teixeira, recebeu a sua inumação de número 1: o corpo de Raimunda Alexandre, índia waimiri-atroari. No mês seguinte, de acordo com o matutino O Jornal, já haviam sido inumadas mais de sessenta pessoas, e, em março de 1977, segundo matéria do Jornal do Commercio, jaziam naquele lugar, aproximadamente, seiscentos corpos.

    Por meio do Convênio 22, de 21 de novembro de 1978, a Prefeitura firmou acordo com a então Empresa Municipal de Urbanização – Urbam e transferiu a gerência desse novo cemitério para essa autarquia, a qual caberia, também, a execução complementar do projeto, das obras e dos serviços.

    Entre outras obrigações, a Urbam se responsabilizou em reservar uma área nos fundos do Cemitério Parque Tarumã, destinada, exclusivamente, aos enterros de indigentes e que foi denominada Cemitério Ponta Negra.

    Passados dois anos, em dezembro de 1980, a Empresa de Urbanização celebrou contrato com a firma Consórcio Riograndense de Construção e Urbanização – Cortel S.  A.  para a continuação e a execução das obras e a implantação e comercialização do Cemitério Parque Tarumã.

    Vale ressaltar que a Cortel somente aceitou firmar esse acordo após a Prefeitura assegurar-lhe que, inaugurada essa necrópole, todos os enterramentos da Cidade seriam obrigatoriamente realizados nesse cemitério-parque, o que garantiria o sucesso do investimento feito pela empresa.

    Ou seja, em consequência desse monopólio, devidamente autorizado pela administração municipal da época, os moradores de Manaus não mais disporiam de um cemitério público para os sepultamentos, à exceção dos “indigentes comprovados” – que seriam enterrados no Cemitério Ponta Negra – e das famílias que possuíssem jazigos perpétuos no São João Batista, no Santa Helena e no São Francisco.

    A Cortel também exigiu que a Urbam realizasse melhorias estruturais, como a ligação telefônica desse campo santo à rede urbana, suprimento de água e instalação de iluminação na estrada de acesso ao Cemitério. Entretanto, até 1982, quando essa empresa transferiu os seus direitos e obrigações para a firma Implantação e Administração de Cemitérios da Amazônia Ltda. – Cedam, nenhuma dessas obras havia sido feita.

    Além disso, os sepultamentos continuavam a ser realizados nas outras necrópoles da cidade e o Cemitério Ponta Negra, exclusivo para carentes, em realidade, estava sendo utilizado para sepultamentos de não-indigentes, o que causou a invasão gradativa da área pertencente àquela necrópole particular.

    Essa situação se agravava porque a entrada do cemitério de indigentes era a mesma do cemitério-parque e por não existir uma linha divisória entre os dois campos santos.

    Para ratificar o “engano”, a própria administração municipal chamava o Cemitério Ponta Negra de Cemitério Parque Tarumã. Como consequência dessa confusão, em janeiro de 1991, mais de 40% da área da necrópole particular já havia sido tomada.

    Após acumular prejuízo significativo, a Cedam acionou judicialmente, no início da década de 90, a Prefeitura de Manaus e a Urbam para que o contrato fosse rescindido, com ressarcimento e indenização por perdas e danos. No entanto, esse processo se estende até os dias de hoje.

    Fato é que, atualmente, os dois cemitérios, localizados na avenida do Turismo, n. 107, Km 12, no bairro Tarumã, Zona Oeste, encontram-se em plena atividade.

    O Cemitério Ponta Negra chama-se, hoje, Cemitério Nossa Senhora Aparecida e continua sendo administrado pela Prefeitura de Manaus. Tem-se como marco do início de suas atividades o ano de 1976, quando do enterramento da índia Raimunda Alexandre. Possui, aproximadamente, setecentos mil metros quadrados, mais de cinquenta quadras, acima de oitenta mil sepulturas e cerca de 180 mil inumados.

    Já a necrópole particular é denominada Cemitério Parque de Manaus e sua área está dividida em 142 quadras, com 5.720 sepulturas e mais de 7.300 inumados. Inaugurada em 1982, continua sob a gerência da Cedam.

    Imagem e texto retirados do livro Manaus, entre o passado e o presente do escritor Durango Duarte.

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