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    Campo Experimental Nelson de Mello

    Campo Experimental Nelson de Mello. In: Revista Agronômica, Maio de 1938.

    A Escola Agronômica de Manáos também tem sua história ligada à Escola Universitária Livre de Manáos, que, desde a sua fundação, em 17 de janeiro de 1909, previa o oferecimento de um curso de Agronomia pela Faculdade de Engenharia. Entretanto, a instalação desse curso não ocorreria de imediato, pois essa Faculdade enfrentava dificuldades para o seu funcionamento, como a falta de instalações e recursos necessários.

    Por iniciativa de Astrolábio Passos, diretor-geral da Escola Universitária, em 1911, formou-se uma comissão para organizar um congresso agrícola a fim de se discutir a organização do Instituto Agronômico Amazonense. Essa comissão era composta pelo governador do Estado, pelo superintendente de Manaus, pelo representante da Inspetoria Agrícola e pelos presidentes da Associação Comercial do Amazonas e da Sociedade Amazonense de Agricultura, além de representantes da Universidade.

    Para o diretor da Universidade, a organização dessa comissão era a melhor maneira de se elaborar um programa de ensino agrícola condizente com as demandas do Estado. Essa expectativa se confirmou com a criação da Escola Média de Agricultura – primeira denominação desse instituto –, anexa à Faculdade de Engenharia da Escola Universitária Livre de Manáos, em 26 de fevereiro de 1912. Dois meses depois, no dia 29 de abril, ocorreu a aula inaugural da Escola no salão nobre da Associação Comercial do Amazonas, à época, localizada na rua Marechal Deodoro, n. 32, Centro.

    A Escola Média, inicialmente, possuía nove alunos e suas aulas teóricas foram realizadas em uma sala do prédio da Sociedade Amazonense de Agricultura, na rua Barroso, n. 36, Centro. Com a instalação dos laboratórios da Escola Universitária Livre de Manáos – inaugurados em 11 de agosto de 1912 – no segundo pavimento do edifício da Biblioteca Pública, foram iniciadas as aulas práticas de Física e de Química.

    Em 1913, essa Escola mudou-se com a Universidade para o prédio que havia abrigado a Repartição de Obras    Públicas, na avenida Joaquim Nabuco, Centro. A função de diretor da Escola Média era exercida pelo mesmo diretor da Faculdade de Engenharia, Arthur Cesar Moreira de Araújo, que esteve no cargo entre os anos de 1912 e 1915, quando foi diplomada a primeira turma, com oito agrônomos.

    A partir de 1918, a Escola Média de Agricultura passou a receber auxílio financeiro do Governo Federal, no valor de vinte contos de réis anuais, inserido no orçamento do Ministério da Agricultura, Indústria e Comércio.

    Em 12 de abril de 1919, a Congregação da Universidade aprovou um novo Regulamento para a Escola Média de Agricultura, baseado no modelo de Ensino Técnico-Agronômico convencionado pelo Governo Federal, pelo qual a Escola passava a oferecer três cursos: o Preliminar, com duração de um ano, o Regular ou Principal, com duração de três anos, e o Especial, de um ano de duração, para aperfeiçoamento ou especialização.

    Até 1919, o ensino prático dos alunos da Escola Média era realizado em dois outros espaços: no campo experimental do Horto Florestal Estadual e no Seringal Mirim, de propriedade do Club da Seringueira. Nesse ano, foi adquirido um terreno na Vila Municipal, área que hoje pertence ao atual bairro Adrianópolis, para a instalação do seu aprendizado agrícola, posteriormente denominado Astrolábio Passos.

    Dois anos depois, a Escola também recebeu a concessão do Horto Municipal de Manaus e dos jardins públicos da Cidade. Em 1922, já contava com outros seis espaços: o campo de experiência e demonstração da Sociedade Amazonense de Agricultura, o Observatório Meteorológico do Estado, o Laboratório Químico do Estado, o Instituto Pasteur de Manaus, o Laboratório Químico Calmont e a Chácara São José, na Vila Municipal.

    A Congregação da Universidade, em 8 de março de 1922, transformou a Escola em uma instituição autônoma didática, administrativa e financeiramente, que passou a funcionar como unidade isolada de ensino superior, sob a denominação de Escola Agronômica de Manáos e dirigida por Antônio Telles de Sousa.

    Mesmo com a independência, a Escola Agronômica permaneceu funcionando no prédio da Universidade de Manáos até 1926. Seus diplomas foram reconhecidos pela Assembleia Legislativa do Amazonas, por meio da Lei 1.236, de 17 de janeiro de 1926, que estabeleceu, ainda, uma subvenção anual da administração estadual para a instituição, cujo valor seria de, no máximo, seis contos de réis.

    Por meio do Regulamento publicado em 1929, a Escola Agronômica de Manáos foi reestruturada e passou a oferecer o Curso Fundamental, equivalente ao antigo Preliminar; o Curso Integral, que substituiu o Regular, e um curso especial de Química Industrial. Nessa época, a Escola Agronômica já funcionava em um prédio situado na então praça General Osório, n. 29, Centro, onde hoje existe uma locadora de bilhar, na rua Luiz Antony.

    Uma nova reformulação, aprovada pelo Decreto 23.857, de 8 de fevereiro em 1934, adaptou a Escola Agronômica de Manaus à Escola Nacional de Agronomia. Três anos depois, em 7 de setembro de 1937, foi lançada a Revista Agronômica, publicação de responsabilidade do Centro Acadêmico daquela instituição e destinada à defesa dos interesses da categoria e do fortalecimento da agricultura no Amazonas.

    Em 1938, o prefeito Antônio Botelho Maia, ex-aluno da instituição, concedeu à Escola Agronômica de Manaus um terreno de propriedade do Município, localizado na estrada São João, atual avenida Álvaro Botelho Maia, na Vila Municipal, para a construção de sua sede – ideia que não se concretizou. Nessa época, a Escola já possuía um campo experimental denominado Nelson de Mello, na estrada do Aleixo.

    Apesar das tentativas de manutenção encampadas pelo interventor Álvaro Maia, o Governo Federal extinguiu a Escola Agronômica em 1943 em razão de essa instituição não atender mais às normas legais exigidas para o funcionamento de    um estabelecimento de ensino agronômico. Em seu lugar, foi criada a Escola Agrotécnica de Manaus, cujas atividades iniciaram em 1944 e formou sua primeira turma em 1947.

    No final da década de  50,  houve  uma  tentativa  de  aqui restabelecer o ensino de graduação em Agronomia. O governador Plínio Coelho, de acordo com sua Mensagem à Assembleia Legislativa, de 15 de março de 1958, pretendia iniciar a construção de um prédio, no antigo campo do Luso, para instalar a Faculdade de Agronomia do Amazonas, iniciativa, porém, que não se realizou.

    A discussão a respeito da instalação da Faculdade de Agronomia do Amazonas ganha força em 1974, quando, segundo matéria publicada no Jornal do Commercio, de 12 de dezembro daquele ano, a Federação de Agricultura do Amazonas e a então Universidade do Amazonas – UA decidem implantar um Curso Superior de Agronomia em Manaus.

    Dois anos depois, em 1º de julho de 1976, o Curso de Agronomia iniciou suas atividades vinculado à Faculdade de Tecnologia – FT da Universidade do Amazonas. Com a criação, no ano seguinte, do Departamento de Ciências Agrárias, no Instituto de Ciências Biológicas – ICB, a administração do Curso foi transferida para essa unidade acadêmica. Em agosto de 1980, formou-se a primeira turma de engenheiros agrônomos da Universidade do Amazonas, entre eles, Néliton Marques da Silva, filho de Theotônio Marques da Silva, um dos formandos da última turma da antiga Escola Agronômica, de 1943.

    Ainda na década de 80, o Conselho Universitário – Consuni fundou a Faculdade de Ciências Agrárias – FCA, por meio da Resolução 009/88, e o referido curso ficou estabelecido nessa unidade, da qual faz parte até hoje.

    Imagem e texto retirados do livro Manaus, entre o passado e o presente do escritor Durango Duarte.

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