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    A cachoeira da Cem

    Coluna A Cidade em Foto do Jornal A Gazeta de 12 de dezembro de 1963.

    A cachoeira da Cem

    Não tem a potência hidráulica de Paulo Afonso ou de Sete Quedas. Na verdade, nem potência tem, nem cachoeira é. Distrai a vista de quem a observa e fica bonita, assim, na fotografia, bem batida para clichê. Cachoeira é o único apelido que nos ocorre e deve ser conhecida desse modo pelos que privam de sua intimidade. Não chegamos ao ponto de chamá-la de ordinária, que não temos jeito para ofensas e ela nem culpa tem de existir e ser assim. Talvez se envergonhe em ser produto de águas servidas e sinta uma revolta íntima contra os homens responsáveis pela sua triste sina. Para se enganar, enganando os outros, toma ares de imponência, e sabendo correr o páreo sem competições, finge um orgulho longe de existir. Mas suas águas são limpas, claras e quase geladas, pois procedem da usina termoelétrica da Companhia de Eletricidade de Manaus, lá no antigo Plano Inclinado, tradicional bairro dos Tocos, hoje com o imponente e simpático nome do Bairro de Aparecida. Não merece ser incluída em um Guia Turístico, mas os que sentirem curiosidade podem ir visitá-la, que serão bem recebidos.

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