A bola de goma

Em 29 de março de 2016 às 08:00.

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Começa hoje a série de posts que abordarão a história da substância que um dia fez do Amazonas o coração econômico do Brasil.

Durante a segunda viagem às Américas, entre 1493 e 1496, Cristóvão Colombo e os demais conquistadores que o acompanharam, trouxeram relatos do uso de uma bola de “goma” pelos indígenas.

Trinta anos depois, em 1526, Andrea Navagero ou Navagiero, italiano, historiador, poeta e diplomata, embaixador de Veneza na Espanha, após assistir em Sevilha uma versão primitiva de jogo de futebol protagonizado por índios, disse que “as bolas saltitavam sem parar ricocheteando de uma forma impetuosa” e que não se assemelhava a nada que tivesse visto antes. As bolas dos índios, sugeriu, eram feitas, de alguma forma, da “medula de uma madeira que era muito leve”.

Pietro Martire d´Anghiera ou Pedro Mártir de Angliería, amigo de Navagero, teólogo calvinista, italiano e historiador do descobrimento e exploração das Américas pelos espanhóis, em sua obra “Decadas de Orbe Nuova” (1530), mencionou a borracha como “gummi optima”, disse ainda que quando as bolas feitas pelos índios “tocavam no solo, mesmo que lançadas devagar, ressaltam várias vezes a uma altura incrível”. E mais: “… não compreendo como as bolas pesadas são tão elásticas”.

Gonzalo Fernández de Oviedo (1535), militar espanhol e cronista real, na sua obra La História General de las Índias (1535), menciona o “juego del bate” e fala dos índios que ainda que jogassem de outra maneira, era o mesmo jogo que o jogo de bola. “Quero dizer da maneira que se jogava porque na verdade é coisa para ver e notar”.

Em torno de onde os jogadores faziam o jogo, dez por dez e vinte por vinte (como se organizavam) tinham seus assentos de pedra e ao cacique e homens principais “botavam-lhes uns banquinhos” de vara de madeira muito bem esculpidas de lindas madeiras e com muitos trabalhos de detalhes concavados, entalhadas e esculpidas neles”. “As bolas são de umas raízes de árvores e ervas: e “sumos” e mesclas de coisas …”. “… e fazem uma pasta e “arredondando-a” e fazem a bola disto…”. “Estas bolas saltam muito mais que as de vento sem comparação, porque se solta-las da mão em terra, sobem muito mais para cima e dão um salto e outro e outro e outro e outro e muitos…”. “Diminuindo o salto por si mesma como fazem as “bolas de vento” e muito melhor, mas como são maciças são um pouco pesadas”.