As técnicas de coleta da borracha

Em 19 de abril de 2016 às 07:00.

compartilhe

A abundância do látex é sujeita a variações. Assim, a exsudação, devido a um fenômeno de turgescência, é mais abundante em uma mesma árvore pela manhã do que à tarde; é, aliás, um fato bem conhecido por todos os seringueiros; ela também é mais abundante depois de certo número de sangrias; outro fenômeno particular a Hevea, sempre verificado, mas ainda não explicado é a “resposta a ferida”, o “wound response” dos ingleses.

As técnicas de coleta da borracha, segundo descreveu Richard Spruce, o primeiro a fazê-lo em 1855, no Hooker´s Journal of Botany, era a seguinte: “o coletor fazia numerosos cortes irregulares na casca da árvore com uma machadinha e o látex escorria das incisões, tronco abaixo, até uma calha de barro, sendo daí coletada numa cuia.

A borracha era então coagulada, gotejando-se laboriosamente o líquido num espeto que girava bem devagar sobre um fogo brando. Spruce observou os altos preços do material, indício de uma demanda crescente. Apesar desse interesse, os naturalistas Henry Bates e Alfred Roussel Wallace, que realizaram coletas na Amazônia na década de 1850, bem como Louis Agassiz, em 1860, poucas atenções deram à seringueira em seus relatórios e, ao que parece, não mandaram para a Europa outros espécimes”. (Warren Dean).

Spruce foi econômico em sua explicação, o método adotado no Amazonas para a coagulação do látex e preparação merece maior detalhamento:

Todas as manhãs, durante o tempo da exploração, o seringueiro entra no “defumador”, entre dez horas e meio dia, com o balde cheio de látex. É depois de meio dia que ele vai proceder a coagulação, pelo único método em uso nos seringais do Amazonas para o leite de Hevea: a defumação.  No defumador, espécie de cabana aberta nas duas extremidades e coberta com folhas de palmeira, é preparado um fogareiro rudimentar enterrado no solo. Sentado diante desse rústico aparelho, o seringueiro tem à sua direita, ao alcance da mão, uma larga bacia de ferro batido, na qual derrama o conteúdo do balde. Esta operação é feita lentamente, permitindo ao operador colocar o dedo na corrente do líquido, de maneira a poder retirar-lhe as impurezas. É essa a única limpeza sofrida pelo látex. Em seguida prepara-se o fogo. Para esse efeito, acende-se um pedaço de sernamby, previamente recoberto de madeira resinosa, bastante seca e cortada em fragmentos finos, dispostos de forma a deixar circular o ar.” (Dr. O. Labroy)