As sinuosidades do mercado e o fim do Plano Stevenson

Em 28 de fevereiro de 2017 às 08:00.

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A onda de esperanças que estimulou o mercado elevou o preço em janeiro de 1923, descendo gradualmente depois disso, porém ficando na média em fevereiro-abril de 1923, de modo que a quota de maio-julho foi aumentada automaticamente para 65%, de acordo com o Plano. A seguir cai o preço, e a quota do último quartel do primeiro ano de restrição regrediu a 60 %.

Essa mobilidade natural ao mercado, que o Plano em sua rigidez não permitia acompanhar, causou tal confusão que, durante o terceiro ano de controle, o preço quase triplicou, em média mais de 3 xelins por libra. A Comissão Stevenson nada podia fazer senão aplicar as percentagens legais estabelecidas.

Não pôde conter, portanto, a alta excessiva no mercado, que assim continuou por mais dois trimestres.

Alarmando-se o mercado com a escassez de borracha que se prenunciava, circunstância agravada pelos boatos e pelo desconhecimento do Plano pelos consumidores, o preço desatou a subir sem nada que o detivesse, e, em 1925, quarto ano de restrição, alcançou 4 xelins, deixando a perder de vista o preço “justo” fixado pela Comissão.

Por essa razão, a quota exportável foi automaticamente elevada em 15%, para 100%, no segundo trimestre, em resultado do que, o preço caiu violentamente a pouco mais de 2 xelins em fevereiro-abril de 1926.

No trimestre agosto-outubro de 1926, para evitar flutuações intrusas, o governo modificou o Plano, a fim de torná-lo mais flexível e aumentou o preço-base, mas se durante esse período o preço mediasse menos que o novo preço-base, a percentagem seria diminuída.

O aumento do preço-base talvez se deva à ilusão das cotações excepcionais que se vinham registando, pois acontece que, após essas novas medidas, o preço recomeçou a declinar.

Em outubro, novas modificações no Plano são feitas, visando imprimir maior mobilidade ao esquema, porém o automatismo do preço básico e da fixação de quotas, causa principal das deficiências, subsistia.

Em fevereiro de 1928, o governo britânico resolveu investigar o funcionamento do Plano e, em abril, decidiu que o mesmo terminaria em 1 de novembro de 1928.

Uma série de razões determinou a suspensão do Plano Stevenson, dentre essas a oposição dos países consumidores, entre os quais os Estados Unidos, fato que deu origem a uma investigação do Congresso e a representações diplomáticas junto ao governo inglês; e a posição desvantajosa dos produtores controlados, em certos momentos de alta de preço, que não podia ser corrigida em vista da fixidez do esquema, coisa de que se aproveitavam os holandeses, a expensas daqueles.

Desgostosos com o resultado do Plano, os ingleses regressaram ao comércio livre, que vigorou de 1929 a 1933.