As relações comerciais e o crédito no sistema de produção da borracha brasileira

Em 17 de maio de 2016 às 07:00.

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As relações comerciais, no sistema de produção da borracha brasileira, eram, na maioria dos casos, muito primitivas, e, em todo caso, sui generis.

O crédito, no que tange à borracha como a outros produtos extrativos da região amazônica, era exclusivamente pessoal, da primeira à última fase do processo produtivo, em virtude do caráter primário e esparso das unidades extratoras.

O seringueiro, que nada tinha para garantir seu crédito, e que não era um assalariado, porém repartia com o seringalista, nas bases fixadas pela praxe, ou pela lei, o resultado líquido apurado na safra, recebia do último adiantamento não em dinheiro, que não se usava no seringal, mas em mantimentos, utensílios, roupas, enfim o indispensável à vida.

Na época do pioneirismo violento, este sistema deu origem a muita exploração, a incidentes sérios, que se tornaram lendários através da dramatização literária.

O progresso das comunicações, o telégrafo, o rádio, a intervenção governamental, a adversidade que durante dezenas de anos enfrentaram uns e outros, a escassez da mão-de-obra, generalizaram melhores relações e melhor compreensão, ditadas pela necessidade da luta pela subsistência.

Assim, se tudo corresse bem, se o seringueiro trabalhasse toda a safra sem interrupção por doença ou qualquer outro motivo, se não fosse embora, satisfazia ele os seus compromissos com o seringalista. Mas de qualquer modo, para este crédito sem base real, tinha sempre o seringalista que fazer, em seus negócios, uma reserva para eventualidades.

[…] “Por sua vez o seringalista obtinha, quer do “aviador”, casa que aviava todas as necessidades de uma safra para seringais, quer do Banco do Crédito da Borracha, crédito também exclusivamente pessoal. Isto porque, se fosse arrendatário do seringal, nada possuía para dar em garantia, a não ser, porventura, propriedades pessoais suficientes, coisa incomum“.

Se proprietário do seringal, a situação pouco se alterava, uma vez que um seringal nada mais era que um pedaço de floresta, que só valia pelas “estradas” abertas, a capacidade teórica de produção futura, e, essencialmente, pela idoneidade e reconhecida tradição e capacidade do seringalista.