As madeiras e as nozes usadas para a produção das fumaças coagulantes

Em 23 de abril de 2016 às 07:00.

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Quando eles estão bem em ignição ajuntasse-lhes uma parte dos materiais necessários à produção das fumaças coagulantes, e recobre-se o fogareiro com o “boião” – espécie de cobertura de terracota ou ferro, de forma tronco-cônica, munido de uma abertura na parte superior e de outras na base, para regular a entrada do ar. Muitas vezes o seringueiro emprega, simplesmente, um reservatório de petróleo (lata) que inverte, depois de lhe ter arrancado uma das tampas e haver feito no fundo da outra um orifício retangular longo, de 6 a 8 centímetros. Nesse caso, ele regula a entrada do ar, suspendendo mais ou menos a lata acima do solo. Pelo orifício superior, passagem das fumaças, penetram, à medida que é preciso, os materiais que devem alimentar o fogo.

São diferentes as madeiras que se empregam para esse fim, ainda verdes, e nozes de palmeiras, substâncias mais ou menos resinosas e oleaginosas. Para a qualidade das fumaças é preciso que a combustão desses materiais não seja completa. A lista das madeiras e das nozes de palmeira empregadas é bastante longa, pois nem todas são consideradas como tendo o mesmo valor; mas, para compreender o seu emprego, é mister levar em linha de conta a sua existência e abundância nas diversas regiões.

Entre as madeiras mais empregadas estão a Itaúba, o Pau-mulato, a Massaranduba, o Pau d´arco, o Carapanaúba e o Acapú. No Xingu essa última qualidade compreenderia duas espécies distintas, uma de flores encarnadas, a outra de flores amarelas, de valor desigual para a produção das fumaças.

Quanto às palmeiras, aquelas cujas nozes são preferidas, são: a Urucurí, a Inajá, a Tucumã e a Auassú. Em inúmeros casos também se empregam as cascas das nozes do Brasil, ou castanha do Pará.

Na região do Xingu utilizam-se, apenas, as nozes do Auassú, preferindo-se, entretanto, as madeiras resinosas de Massaranduba, de Acapú e Carapanaúba, e, sobretudo, as de Pau d´arco. Toda a borracha coagulada por essas fumaças é considerada fina.  Para utilizar essas fumaças, o seringueiro serve-se da “tanibóca” ou do “pau”, segundo se trata de obter uma “bolacha” ou uma “bola”.