• Durango Duarte -Antigo Cemitério São Raimundo
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    Antigo Cemitério São Raimundo

    Vista do antigo Cemitério São Raimundo. In: Relatório do superintendente municipal Arthur César Moreira de Araújo, 1901.

    Na década de 70 do século XIX, Manaus enfrentou uma epidemia de varíola que foi responsável pela morte de muitas pessoas. O primeiro surto dessa doença ocorreu na Capital entre 1872 e 1873, o que fez com que o Governo Provincial improvisasse um hospital de quarentena nas dependências de um prédio de propriedade do Seminário Episcopal, situado em um terreno à margem direita do igarapé da Cachoeira Grande.

    Como esse espaço não comportava a quantidade crescente de infectados que chegavam, tratou-se de criar, em fevereiro de 1873, uma enfermaria no largo de São Sebastião e desativou- se o hospital do morro do Seminário. Ao final de 1873, mais de 330 pessoas já haviam sido acometidas da doença, das quais 160 vieram a falecer.

    Foram tantas as vítimas fatais que a área do cemitério São José – até então, o único existente na Cidade – ficou superlotada. A situação se complicou ainda  mais  porque  os prazos determinados pelos regulamentos que regiam os cemitérios públicos não permitiam que se exumassem os corpos dos variolosos que já haviam sido sepultados. Os casos de varíola na Cidade começaram a diminuir, gradativamente, devido ao processo de vacinação da população.

    Em 1874, para oferecer tratamento adequado às vitimas dessa doença, a Assembleia Provincial autorizou a construção de uma enfermaria destinada a esses surtos epidêmicos. Para tanto, no ano seguinte, o diretor de Obras Públicas, Leovegildo Coelho, foi designado para inspecionar o prédio do morro do Seminário a fim de verificar quais obras o edifício necessitava para a instalação de um hospital apropriado.

    Depois das avaliações, ficou constatado que era muito mais vantajoso para a Província, ao invés de reformar o prédio já existente, erguer um novo, o que aconteceu naquele mesmo ano. Para o sepultamento dos variolosos que ali viessem a falecer, construiu-se, em 1879, um pequeno cemitério, à esquerda dessa enfermaria, com 18 metros de frente e 13,5 de fundo. Entre a necrópole e o hospital, abriu-se também uma estrada com 165 metros de comprimento por 4,40 de largura.

    Passados oito anos, a Presidência da Província, em 17 de janeiro de 1887, mandou que a Diretoria de Obras Públicas demarcasse uma área próxima a esse pequeno campo santo, a qual serviria para a construção de um cemitério público. A planta desse projeto ficou pronta menos de um mês depois, em 9 de fevereiro.

    Também em 1887, em 10 de setembro, a Inspetoria de Higiene Pública sugeriu ao então presidente da Província, Conrado Niemeyer, que essa nova necrópole passasse a receber os enterramentos da Capital, visto que o cemitério São José já estava quase totalmente ocupado. O presidente, no entanto, não seguiu a recomendação daquela Inspetoria em vista de que a Província não possuía verbas para solucionar os problemas de acessibilidade ao local indicado.

    Niemeyer mandou, então, que se aumentasse o São José e determinou que no campo santo do morro do Seminário fossem enterrados somente os vitimados por doenças epidêmicas. Mesmo assim, esse Cemitério – denominado São Raimundo devido à igreja homônima ali existente – iniciou suas atividades como necrópole pública em 13 de dezembro de 1888.

    Situado na área conhecida, à época, como Umirisal, anos mais tarde, possivelmente devido ao seu nome, o bairro ali surgido também passou a ser chamado de São Raimundo. No local dessa necrópole existe, hoje, o ginásio da Escola Estadual Marquês de Santa Cruz, entre as atuais ruas Virgílio Ramos      e Cinco de Setembro. Sua área era dividida em duas partes: o lado da rua Virgílio Ramos destinava-se aos enterramentos dos variolosos, e o da Cinco de Setembro, às demais inumações, sendo que cada lado possuía um cruzeiro.

    Menos de um ano depois, em outubro de 1889, a Higiene Pública chamaria a atenção da Presidência da Província para   a falta de condições de se continuarem os enterros no São Raimundo devido à dificuldade ocasionada pela ausência de ligação direta entre a Cidade e essa necrópole.

    Outro motivo foi o solo pedregoso ali existente, o qual não impedia a passagem dos gases que se desprendiam dos cadáveres em decomposição, produzindo um forte mau cheiro. Dois anos depois, foi fechado pelo governador Eduardo Ribeiro (Decreto 95, de 2 de abril de 1891).

    Imagem e texto retirados do livro Manaus, entre o passado e o presente do escritor Durango Duarte.

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