Alexandre Amorim implanta a linha de navegação Manaus/Liverpool

Em 2 de agosto de 2016 às 08:00.

compartilhe

Apesar da população da Província ser minguada e avessa aos serviços das armas, atendendo a contido no Decreto nº 3.371 de 7 de janeiro de 1865, que estabelecia a criação de corpos para o serviço da guerra, com a denominação de Voluntários da Pátria, sessenta e três filhos do Amazonas se alistaram e seguiram para a Corte onde se reuniram ao exército em operações nas Repúblicas do Uruguai e Paraguai.

Era o Império a recrutar tropas, em todas as suas Províncias, para a Guerra do Paraguai. De janeiro de 1865 ao fim de 1868, o Amazonas havia participado daquele conflito belicoso com 984 indivíduos. Incluindo-se aí, Voluntários da Pátria, guardas nacionais e recrutas para o exército e marinha.

No seguimento industrial o extrativismo era o único que apresentava resultados animadores, porque também era o único no qual se aplicava os braços livres da Província. O índio não se prestava a outra indústria com facilidade e perseverança, assim, a goma elástica, a castanha, a salsa e a copaíba ganhavam destaque.

Belém era então o principal centro importador e exportador de borracha, lá estavam os estabelecimentos bancários e as casas exportadoras, o curso dos principais lucros obtidos pela extração da borracha da Província do Amazonas para lá se dirigiam. Manaus, portanto, não tinha ligação direta com as praças comerciais estrangeiras sediadas em Liverpool e Nova York. Para dar um basta nessa adversidade, a Assembleia Provincial do Amazonas, através da Lei nº 158, de 7 de outubro de 1866, autorizou o Presidente da Província a contratar Alexandre Paulo de Brito Amorim, para organizar uma companhia de navegação, a qual recebeu o nome de Companhia de Navegação do Alto Amazonas.

Alexandre Amorim nasceu em Arcos de Valdevez, vila raiana portuguesa no Distrito de Viana do Castelo, região Norte e sub-região do Minho-Lima. Chegou a Manaus em 1851, pouco antes da instalação da Província e logo se tornou um dos mais importantes comerciantes da cidade. Era Vice-Cônsul e o primeiro representante consular do governo português em Manaus (1854 a 1873).

Foi Alexandre Amorim quem iniciou, mas não concluiu, a construção do Palacete Provincial, imóvel que inicialmente serviria de residência para a sua família. Sua conclusão deu-se em 1867, sendo o seu proprietário o Sr. Custódio Garcia, capitão da Guarda Nacional. O imóvel posteriormente foi comprado pelo presidente da Província José Bernardo Michellis. Passou a denominar-se Palacete Provincial, por haver servido de sede do governo da Província do Amazonas e de residência de seus presidentes.

Alexandre Amorim constituiu a Companhia de Navegação do Alto Amazonas, a qual obteve concessão para explorar as linhas de navegação de vapor, a partir de Manaus, para os rios Madeira até Santo Antônio, Purus até Hyutanahan e Negro até Santa Isabel.  Foi o fundador de estabelecimentos industriais, entre os quais uma serraria a vapor, uma fábrica de sabão e organizador da primeira empresa de carnes verdes, além de uma fábrica de panificação. Também implantou a linha de navegação Manaus/Liverpool, na Inglaterra, e é um dos fundadores da Associação Comercial do Amazonas.