A breve Província do Rio Negro

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No dia 1º de outubro de 1821, as Cortes portuguesas elevaram a Capitania à condição de Província do Rio Negro.

A breve Província do Rio Negro-  Mesmo confirmado como sede da Capitania do Rio Negro em 1799, o lugar da Barra
ainda não havia sido erigido à vila, o que viria a acontecer somente na década de 1830.
Nesse entretempo, Portugal sofreu uma revolta que pregava o fim do absolutismo
monárquico, em 1820: a Revolução Constitucionalista do Porto.

O Grão-Pará foi o primeiro estado do Brasil a aderir ao movimento, em 1º de janeiro de
1821, depondo seu governo e aderindo ao modelo de junta governativa provisória, que
logo tratou de enviar circulares para todas as suas vilas. Por conta disso, o governador
Manuel Joaquim do Paço foi destituído do comando rionegrino, em 29 de setembro
daquele ano.

Para participar da elaboração da primeira Constituição lusa, em 1º de outubro de 1821,
as Cortes portuguesas elevaram a Capitania à condição de Província do Rio Negro,
mantendo a Barra como capital, e solicitaram que fossem enviados um deputado e um
substituto, sendo eleitos, respectivamente, José Cavalcante de Albuquerque e João
Lopes da Cunha, em 14 de janeiro de 1822.

Ao mesmo tempo, o príncipe regente D. Pedro I criou, no Brasil, o Conselho de
Procuradores Gerais, em 16 de fevereiro de 1822, convocando todas as províncias
brasileiras para fazerem parte, inclusive Rio Negro. Entretanto, o Pará não aceitou esse
chamamento e, ainda por cima, ordenou que todos os ofícios enviados do Rio de Janeiro
para cá fossem bloqueados.

O sonho do Rio Negro de permanecer como uma província independente caiu por terra
na revisão do projeto constitucional pelas Cortes, em 12 de agosto de 1822: o deputado
José Ricardo da Costa Aguiar de Andrada, de São Paulo, questionou a autonomia
rionegrina, apresentando motivos para que a mesma continuasse subalterna ao Pará.

Como os nossos representantes eleitos não haviam chegado a Portugal por conta da
longa viagem, não houve defesa, e perdemos a autonomia administrativa. E o pior: por
não termos enviado representantes às convocações de D. Pedro I, também fomos
“esquecidos” durante o processo inicial da Independência do Brasil.