A Transumância Amazônica

Em 4 de outubro de 2016 às 08:00.

compartilhe

Um dos motivos apontados para o declínio da agricultura era a fuga de braços para regiões de extração da borracha, acirrando rivalidades entre setores das elites locais. As autoridades provinciais desejavam superar o impasse com projetos que garantissem a incorporação de mais trabalhadores à Amazônia. Foi essa a conjuntura que as primeiras levas de retirantes cearenses desembarcados em Manaus encontraram, os recém-chegados pareciam ser a solução para o constante lamento contra a falta de mão de obra”.

Num primeiro momento o Amazonas se apresentava como o novo ímã de riqueza no país a atrair apenas famílias pobres e analfabetas para a extração da borracha. “Depois de algum tempo o alvo passa a ser os intelectuais da classe média que, cansados da dura vida provinciana, sem dinheiro nem oportunidades, resolvem tentar a sorte em outra região. Vários jornalistas, literatos, funcionários públicos e estudantes cearenses recém-chegados na província, vindos da capital, embarcaram para o Norte, sendo o principal alvo a cidade de Manaus”, diz Lima Barboza.

A vinda maciça de nordestinos para a Província do Amazonas tornou-se um problema social e repercutiu na Assembleia Legislativa Provincial do Amazonas. Na sessão de 11 de junho de 1877, o primeiro secretário, Deputado Henrique Barbosa de Amorim, lê o seguinte requerimento: “Um requerimento de diversos cidadãos naturais do Ceará, pedindo auxílio pecuniário para transportar alguns de seus parentes e conterrâneos que desejam migrar para esta província – A comissão de Fazenda”.

O grande movimento migratório para a região, movido pelo flagelo da seca, foi analisado por Celso Furtado sob a denominação de Transumância Amazônica.

A transumância amazônica significou a solução para o problema da mão-de-obra nos seringais e possibilitou maior volume de látex extraído para exportação com consequente incremento das rendas provinciais, principalmente dos Direitos de Exportação entre 1868 e 1876.

Mas a colonização da Província não ficou restrita aos nordestinos. Existiram iniciativas da Assembleia Provincial, que autorizavam o Presidente a contratar colonos estrangeiros, como a proposta de José Lyons Mac Gei, apresentada à Assembleia Legislativa Provincial sobre a introdução de 100 famílias alemãs.