A tanibóca

Em 26 de abril de 2016 às 07:00.

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A tanibóca apresentasse-nos como uma pá de madeira arredondada e com o abo curto, que o operador manobra sem recorrer a um suporte; ela serve para confeccionar as bolachas, que têm a forma de discos, mais ou menos espessos, cujo peso não excede de 10 a 12 quilos.

O “pau” é um simples madeiro, redondo em todo o seu cumprimento, cujas duas extremidades repousam sobre suportes de madeira em forma de forqueta, dispostas de forma que o meio do pau esteja a uns vinte centímetros acima do orifício superior do “boião”, é com ele que se preparam as “bolas” que pesam de 30 a 50 quilos.

Depois de bem ativo o fogo, as fumaças escapam-se pelo orifício superior. O operador espera, para começar a coagulação, que elas estejam completa e perfeitamente brancas. Se ele quer fazer uma bolacha, segura com a mão esquerda a “tanibóca” sobre a bacia, enquanto com a mão direita, toma, com o auxílio de uma cuia, pericarpo da metade do fruto de uma cabaça (Crescentia Cujete), uma certa quantidade de látex com a qual rega a parte mais larga do seu instrumento.

Este instrumento é movido em torno de si mesmo, sobre a bacia, de forma a ficar toda a madeira recoberta por uma camada de látex, com tanta uniformidade quanto possível. Não se sujeita o todo a ação da fumaça senão quando o leite não goteja mais. Todo o látex aderente à tanibóca é então transportado para a fumaça, a 5 ou 6 centímetros acima da altura, tendo-se o cuidado de apresentar sucessivamente as duas faces da pá à fumaça, graças ao movimento que o seringueiro imprime ao cabo.

Depois da primeira camada se ter tornado consistente, torna-se a trazer a “tanibóca” sobre a bacia, onde ela é, de novo, carregada de látex, e assim se recarrega até haver-se esgotado a provisão recolhida de manhã. Se a “bolacha” apresenta dimensão suficiente, continua-se a sua fabricação logo que se tem látex. Destaca-se depois a borracha da madeira, cortando a “bolacha”, na espessura, pela metade.

Esta operação faz-se sem regra fixa, segundo a necessidade mais ou menos urgente da “tanibóca”, ou horas depois de se ter concluído a “bolacha”.

A operação é feita da mesma forma, se se emprega o pau, com a única diferença de ser regada a bola no lugar, enquanto se faz rodar o instrumento sobre os suportes. Mas o começo da bola é bastante demorado, razão por que muitos seringueiros principiam por colocar à volta do pau um pedaço de “sernamby”. Se ganha tempo, mas o produto é depreciado porque então, mesmo se não produz “entrefina”, por motivo de má coagulação de algumas folhas, ele não será inteiramente constituído de goma fina até o centro. Terminada a “bola”, é geralmente deixada, por tempo bastante longo, no seu suporte; é preciso que se cortem as extremidades aderentes ao pau para dele a destacar.