DOE LIVROS E FOTOS
FECHAR

A extração do látex na Amazônia

Em 10 de maio de 2016 às 07:00.

compartilhe

A extração do látex na Amazônia é feita pelo seringueiro, que corta as árvores para delas colhê-lo. As árvores da seringueira são exploradas, em média, durante seis meses e em um determinado período do ano, isso depende do regime de águas da região. Há zonas, como no Mato Grosso, onde a extração pode se estender por mais tempo.

De acordo com Casio Fonseca, “o trabalho preliminar de abertura de um seringal, quando novo, é a localização das árvores ou grupos de árvores na floresta, serviço feito pelo “toqueiro” e o “mateiro”. O primeiro, partindo geralmente da margem ou da foz de um rio, embrenha-se na selva, assinalando as árvores que vai procurando e encontrando”.

A ele segue o mateiro que abre uma picada ou “entrada” ligando as árvores identificadas. Atingindo número suficiente para uma “estrada”, estabelece-se no ponto de partida o seringueiro, com a sua cabana, a família, os apetrechos de extração, armas facas, tijelinhas, balde, fogareiro, defumador e bacia”.

Cada “estrada” pode possuir, geralmente, de 150 a 200 árvores, dispostas em grande extensão, devido à pouca densidade de seringueiras por hectare”.

Durante a estação, a coleta do látex é diária. Sai o seringueiro ao amanhecer, com suas armas e petrechos, e vai fazendo a incisão nas árvores, prendendo na base de cada sangria uma tijelinha para captar o leite.

Após a incisão das “madeiras” volta o seringueiro à sua cabana. Mais tarde percorre novamente a “estrada” colhendo num balde o leite que escorreu e se depositou nas tigelas, recolhendo também o “sernambi”, látex coagulado na superfície das incisões, ou no tronco da árvore. Feita a coleta, procede à defumação – as técnicas de coleta da borracha descritas por Casio Fonseca, agregam informações às já contadas pormenorizadamente por Richard Spruce. Para isso derrama o seringueiro o conteúdo do balde (em média de 7 a 10 litros; nos altos rios, de 10 a 20) numa bacia.

Acende um fogo de lenha e sementes de palmeiras silvestres (Ouricuri, inajá, babaçu etc.), donde se desprende espessa fumaça, que o seringueiro cobre com um funil defumador, cujo ápice aberto fica para cima. Assentando-se ao lado do defumador, o seringueiro mergulha uma cuia na bacia onde se acha o látex e derrama-o na forma ou na vara, que a seguir expõe à fumaça do defumador. Formada a primeira película, repete a operação quantas vezes for preciso, acumulando películas sobre película, até obter uma bola ou péla, de peso variável, havendo-as desde uns 5 quilos até mais de 40. Quando o “fabrico” é de pelas volumosas, o seringueiro apoia a vara ou “taniboca” dupla sobre forquilhas fixadas ao solo, fazendo-a girar sobre o defumador.