A Colônia Maracajú

Em 11 de outubro de 2016 às 08:00.

compartilhe

“A escravidão africana, presente em todas as regiões do Império brasileiro, não teve na Amazônia a mesma relevância. Isso se explica, entre outras razões, pelas próprias peculiaridades da atividade econômica, sempre baseada na extração e na coleta de produtos existentes na natureza, óbice ao controle da mão-de-obra escrava. Assim, o pequeno número de escravos introduzidos na região dirigiu-se principalmente para as poucas atividades ligadas à agricultura e não para as atividades coletoras, que foram executadas, entre os séculos XVII e XVIII, pelas populações indígenas e, no século XIX, por trabalhadores nacionais livres, principalmente nordestinos tangidos pela seca, conforme mencionado na publicação anterio”.

Na “fala” de abertura do ano legislativo provincial, em agosto de 1878, o presidente da província, Barão de Maracajú, anunciava a retomada do projeto de fundação de colônias agrícolas com o objetivo de resolver o frequente problema de abastecimento alimentar na região: “Na estrada aberta ao norte desta cidade, lugar escolhido pela comissão de colonização para uma colônia de estrangeiros, cuja fundação não realizou-se, estabeleceram-se também emigrantes cearenses nos lotes de terras já medidos e demarcados, que ainda não estavam ocupados. Formou-se então outra colônia de emigrantes cearenses, cujo número é de 647 pessoas divididas em 129 famílias … Pelos desejos que manifestaram seus habitantes passou essa colônia a ser denominada – Maracajú”.

A expectativa oficial era de que os retirantes cearenses viessem a ocupar o vácuo deixado pela falta de imigrantes estrangeiros, conclui Lima Barboza.

“A Colônia Maracajú, situada na periferia de Manaus, povoação que recebeu maior número de emigrantes no Amazonas, merece uma abordagem específica, não apenas devido à quantidade de habitantes, mas porque, da mesma forma que Benevides do Pará, foi planejada pela administração provincial amazonense como centro de produção agrícola da província, para suprir a carência de abastecimento alimentar da sua sede. Ambas foram palco de conflitos, e a proximidade em relação à capital também produziu desconforto aos gestores”.

FONTE:

Retirantes cearenses na província do Amazonas: colonização, trabalho e conflitos (1877-1879) – Edson Holanda Lima Barboza.