A PARTICIPAÇÃO POLÍTICA

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Espantosos os números, nas pesquisas eleitorais, daqueles que não pretendem votar em nome algum. Se somarmos esses aos indecisos, aos nulos, aos brancos e àqueles que nem irão ao pleito, isso totaliza, em contas ligeiras, mais da metade do eleitorado, tanto brasileiro como amazonense.

O ceticismo e o desencanto chegaram a limites absurdos. As pessoas preferem reclamar nas redes sociais, xingando todos que aparecem como candidatos, e se omitirem do processo, a tentarem mudar algo ou a participarem realmente da política. Há o costumeiro argumento de que “nada muda”. Porém, são exatamente esses desgostosos que mais vão às redes sociais para xingar, compartilhar acusações e sair ofendendo qualquer um que toque em questões políticas.

Dizer que não há “bons candidatos” é um exagero, creio. O “bom” depende daquilo que o eleitor esteja interessado. O “bom” para um empresário não é o mesmo “bom” para um operário, e assim por diante… Se estivermos falando em termos morais, a coisa complica. Ser ficha limpa é sinal de “bondade”?! Os atestados do TCE e TCU são sinais de santidade? É esse o critério? Não ter antecedentes policiais? Ser religioso? E de qual religião? Qual o critério para definir essa “bondade”? Ser desconhecido? E se for um marginal iniciante na política? O fato de ser sua primeira eleição já é sinal de beatitude? Sem querer desculpar ou acusar alguém, penso apenas em qual o critério para a beatificação ou condenação de um candidato?

Outro ponto que acho merecedor de mais reflexão é que justamente as pessoas que mais reclamam da política e dos “maus candidatos” não querem se candidatar. Se “não há nomes” bons, por que essas pessoas “boas” não entram no jogo político? Se aqueles que se dizem “bons” não entram nesse universo, “purificando-o”, como querem que tudo se normalize? Se as pessoas que se dizem “honestas” rejeitam a política, ela não mudará mesmo.

Finalizo, dizendo que a política importa muito para todos nós. O próximo governador do Amazonas, por exemplo, mexerá com mais de 60 bilhões em 4 anos. É muito dinheiro para a maioria da população se isentar do debate ou ficar “esperneando” no facebook. É muito dinheiro para não irem votar e depois ficarem criticando os que se candidatam. O desencanto e o ceticismo são enormes, admito. Contudo, se as “boas” pessoas não entrarem nesse debate, preferindo a omissão blasé, supostamente crítica e superior moralmente, aí é que nada mudará. Sindicatos, partidos, ONGs, entre outros, são espaços de ação e reflexão política. Participar deles, de seu cotidiano é vital para nossa vida e nosso destino. Depois, não adianta reclamar ou chorar nas redes sociais.

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