A alternativa revolucionária

Em 21 de dezembro de 2018 às 08:00, por Gilson Gil.

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A alternativa revolucionária- Durante a campanha, o superministro Paulo Guedes dizia que iria acabar com todos os subsídios, isenções e excepcionalidades na economia. Esta semana, após a Câmara dos deputados aprovar incentivos para SUDENE e SUDAM, vários comentaristas econômicos influentes reclamaram, dizendo que “é isso que está acabando com o Brasil”. Conclamavam o novo governo federal a acabar com tudo isso, pois o Brasil teria de eliminar tais disparidades.

Se olharmos de forma isenta, a partir dessa visão liberal radical predominante, a Zona Franca, com suas isenções, seria uma dessas excepcionalidades. Apesar de o presidente eleito ter dito, em campanha, que não mexeria nela, inclusive por ter sido uma obra da ditadura militar, período que ele admira, não creio que se deve confiar muito nisso. O ministro Paulo Guedes não é um admirador de tais exceções e sua exaltada autonomia pode levar a ZFM a certos impasses decisivos.

Nesse contexto, é hora de pensarmos em alternativas reais, sem os costumeiros arroubos em defesa do modelo ou da choradeira de que a “história se repetirá e o Amazonas vai perder outra janela de oportunidades”. O tema da indústria 4.0 é um exemplo. Não é apenas a mudança de processos produtivos que está em jogo nisso. Ao se falar desse tema, o que está em questão é a Quarta Revolução Industrial. É um processo global que está mexendo com todos os arranjos produtivos e com a própria relação sociedade x tecnologia.

Já é mais do que hora de debatermos os impactos dessas mudanças no PIM, verificando suas fontes de financiamento (O BNDES possui cerca de R$ 10 B para essa finalidade) e as respectivas consequências para a sociedade amazonense. Essa nova revolução mexerá com a oferta de empregos e com o tipo de ocupação disponível, incluindo questões como gênero e nível salarial. As relações dessa revolução com temas transversais como meio ambiente e educação precisam ser melhor discutidas e investigadas.

Aliás, a educação é o ponto central desse debate que o futuro governador terá de levar. É preciso definir que educação queremos. É imperativo sair das discussões sobre merenda, fardamento e kit escolar. É preciso evoluir e pensar sobre as relações que nossa educação possui com a ciência e a tecnologia local. O uso da biodiversidade e a criação de polos de startups e empresas digitais só pode ser feito se houver uma profunda revolução no modelo de ensino que prezamos. Alguns autores já chamam de “Economia do Conhecimento” esse novo paradigma econômico que as nações desenvolvidas estão delineando. Os Brics também estão entrando nesse debate, pois não querem ficar para trás (em 2019, o Brasil assume a direção do Brics). Eu diria que o Amazonas, com o PIM, não pode desprezar tais sinais da economia global. Se o modelo atual da ZFM está obsoleto e não levantará maiores defesas pelo país, caso caia, é hora de criarmos alternativas e mostrarmos soluções, antes que países ou estados não alinhados com nossas preocupações nos apresentem pacotes pré-fabricados.

Enfim, é hora de investir em educação, ciência, tecnologia e inovação. Alterar o PIM é uma necessidade. Passa da hora de mudarmos o paradigma político e cultural local. É mudar ou ver os outros nos mudarem, conforme seus desejos, às vezes, nada positivos para nós.

 

Articulista Gilson Gil

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sobre o autor

Articulista-Gilson-GilCarioca, nascido em Madureira e criado no Catete. Sociólogo e professor da UFAM, já trabalhou em várias instituições de ensino no Amazonas e em outros Estados. É torcedor do Flamengo, está em Manaus desde 1992 e possui uma filha meio carioca, meio manauara. Torce pela cidade e pelas pessoas que aqui vivem.