UM DUKE DE SANGUE AZUL MUSICAL

Em 28 de maio de 2019 às 10:34, por Jeferson Garrafa Brasil.

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Recebi, via Humberto Amorim, convite pra assistir a justa homenagem que uma turma de músicos de Manaus prestou aos 120 anos (29 de abril de 1899) do nascimento do grande Duke Ellington – junto com Count Basie, meu bandleader preferido. Esse evento ocorreu no teatro Amazonas, no final de abril. Por estar fora de Manaus – pra minha infelicidade – perdi.

Todos os músicos deveriam um dia se reunir e agradecer de joelhos a Duke”. Essa sentença definitiva, proferida pelo mito Miles Davis, mostra bem a dimensão de Ellington.  Mr. Davis, como se sabe, era marrento, talentosíssimo e não costumava encher a bola de ninguém.

Duke Ellington, além de artista de jazz, foi maestro respeitado, compositor sofisticado, parceiro versátil e profícuo, pianista inovador e um arranjador de extrema criatividade. Em tudo, muito talento.

Com precoces 7 anos – uma idade em que eu ainda acreditava em Papai Noel e tinha verdadeiro pavor de Mapinguari, lenda indígena que perturbou meus sonos infantis – Edward Kennedy Ellington, seu verdadeiro nome, começou a estudar piano. Foi nessa época que lhe deram o apelido de Duke, pois, segundo reza a lenda, era um garoto bem comportado, bem educado etc e tal. Asseguro, no entanto, que ele não foi  menino criado com vó.

Com 18 anos foi formada sua primeira banda, mas, logo em seguida, as luzes de Nova York piscaram-lhe um olho e foi amor à primeira vista: jogou claves, pentagramas e acordes na mochila, foi pra lá e montou a “The Washingtonians”. Nesse momento fez seus primeiros arranjos, que já mostravam a referência que viria a ser.

Tocou mundo afora, mas sua década de ouro foram os anos 1940, quando, por uma dessas coincidências da vida, um rapaz chamado Billy Strayhorn juntou-se a ele. Strayhorn era um clone de Ellington e, inclusive, foi o autor, entre outras, da emblemática “Take the “A” train”, música tema da orquestra.

Longe de mim a pretensão de contar a história de Duke Ellington aqui. E nem daria. É só mesmo um aperitivo. Pra vocês terem uma ideia, em 1973, quando publicou sua biografia, ele utilizou 30! páginas para listar suas composições. Isso mesmo que você leu: 30 páginas.

A orquestra desse músico excepcional foi a mais célebre e poderosa do mundo do jazz, e só mesmo a de Count Basie pra dar uma encarada olho no olho.  Há controvérsias? Faz parte, faz parte… Com esse mundo de internet, está todo mundo por aí. Basta pesquisar.

Duke Ellington completou 75 anos num leito de hospital, e cruzou a linha do horizonte em 24 de maio de 1974. Ou seja, como estamos às vésperas dos 45 anos de sua morte, fica a dica: que tal um repeteco desse show? É só mudar o nome e refazer o convite. Tem público.

O filho dele, Mercer Ellington, ainda tentou levar a orquestra adiante, mas não deu certo. Afinal, filho de peixe nem sempre peixinho é. Pois é.

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sobre o autor

Articulista-Jeferson-BrasilFoi baterista, segundo ele, do sofrível conjunto musical “Os Paqueras”. Jogou basquete, futebol e tênis de quadra. Admite, orgulhosamente, que seus dois irmãos jogavam muito mais. Sua vingança é hoje ser corredor de rua, com sonho de virar maratonista. É cronista bissexto.