Um certo Sr. Moshito

Em 25 de julho de 2016 às 08:45, por Roberto Caminha Filho.

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Era um cidadão de modos hollywoodianos. Sabia tudo da vida e como enfrentá-la. O enfrentamento sempre foi com muita polidez, determinação, disciplina e amor.

Que fórmula!

Sempre falava do início da vida de trabalho pelas mãos de um professor de química, que o aceitou em seu laboratório, na cidade de Belém. Quando veio para Manaus, foi trabalhar com seu tio, o grande Isaac Benayon Sabbá. O “tio” Isaac era sempre falado como se estivesse se dirigindo a uma divindade. Era um respeito superior a tudo aquilo que eu vi nessa vida de Meu Deus. O “tio” Isaac pensava e, quando a coisa já estava bem elaborada, mandava o seu sobrinho para re-sol-ver.

Durante a Segunda Grande Guerra, Adolf Hitler invadiu os seringais da Malásia e deixou os Aliados em Xeque. Foi a borracha do Amazonas que salvou americanos e ingleses de pararem seus tanques e caminhões na África. O homem certo para coordenar o esforço de recuperar os seringais e enchê-los de arigós, os “soldados da borracha” para que os Aliados voltassem a ser competitivos na Guerra, foi Moysés Benarrós Israel. Após a guerra, Moysés Israel passou meses viajando pelos Estados Unidos por conta dos Americanos e desse seu ato de cidadania e coragem. Foi nessa viagem que os negócios com os Estados Unidos se ampliaram.

Também dessa forma fez-se a Refinaria de Petróleo de Manaus. O sobrinho pegou o avião e foi para os Estados Unidos comprar tudo que uma refinaria, localizada no centro da floresta amazônica, iria precisar. Foi assim que Moysés Benarrós Israel chegou na Califórnia e contou para Arthur Soares Amorim o que tinha como missão. Duas mentes privilegiadas partiram para a resolução do problema. Os dois conheciam David Sebastian (1908-1990) que era marido de Carmem Miranda de 1947 a 1955. O empresário americano partiu em busca de boas propostas e ótimos produtos. Moshito confidenciou-me que o cérebro, duas pernas e, pelo menos um dos braços, eram da pequena notável. A nossa Refinaria também tem a marca dessas quarto pessoas que o Amazonas não pode esquecer. Uma refinaria de petróleo no centro da floresta amazônica só poderia dar certo se fosse trabalhado por pessoas tão geniais.

Ao projeto de Zona Franca do Deputado Pereira da Silva, somaram-se os esforços de Isaac Sabbá, Moysés Israel, Arthur Soares Amorim e das forças benevolentes do Presidente Castelo Branco com as do Ministro e genial brasileiro, Roberto Campos. O Ministro fora chamado para normalizar o Brasil e fazer decolar um supersônico impossível de ser  vendido para um mundo que se modernizava. Roberto Campos tinha na sua inteligência divina, a vontade de fazer uma Zona Franca no Rio de Janeiro, para contrapor-se à Zona Franca da China, implantada no centro mundial do comércio. O Presidente disse-lhe que a Zona Franca seria em Manaus, para que não perdêssemos todo aquele território para o resto do mundo. Roberto Campos ainda tentou argumentar, mas sentiu que seria tempo perdido. Moysés Israel, Arthur Soares Amorim e Isaac Sabbá já estavam ao lado do presidente, quando Roberto Campos convidou Arthur Amorim para sua chefia de gabinete. O Céu, então, comemorou mais uma vitória. Roberto Campos morou na casa de Arthur Amorim quando foi fazer seu doutorado em economia, nos Estados Unidos.

Há dois meses, Moshito, intimou-me a levá-lo até a casa do nosso Prefeito Arthur Virgílio Neto. Era um sábado à tarde, o Prefeito nos esperava para ouvir as aulas sempre produtivas do Sr. Moysés. O Arthur o tratava como um se fosse uma autoridade nacional. O Moshito puxou seus estudos, gráficos e fotogtafias para uma campanha de arborização da nossa Manaus com uma árvore indiana que ele já havia testado em Itacoatiara e que se chama NIM. O NIM é uma árvore que tem um grande poder inseticida e uma das formas naturais de combater o Aedys Aegypti que veio para ficar e nos enfrentar, espalhando a dengue, a zika e a chikungunya. O prefeito ficou com os estudos do Sr. Moysés e surpreendido com mais uma aula de conhecimento do nosso querido Moshito. A teca, o anil, a juta, o açaí, o nim, o pinhão manso, os peixes, suas carnes, peles e couros, são riquezas que o interior ainda podem trabalhar e dar vida boa, com segurança, educação e saúde para suas populações. Às vésperas da partida, o Sr. Moysés, andava debruçado, doze horas por dia, na formação de um novo cluster para a castanha do Brasil, pois o Mercado chinês, que ele prospectara, estava exigindo uma grande produção.

O Moshito mudou-se! Foi para um patamar superior e, de lá, nos inspirará para sermos grande como um dia ele foi e que, agora, aos noventa e dois anos, viu que ainda poderia espalhar suas sementes de inteligência e bondade.

Roberto Caminha Filho, economista e secretário sem pasta do Sr. Moysés Benarrós Israel, o Moshito, na FIEAM.

sobre o autor

Articulista-Roberto-CaminhaAmazonense de Manaus, estudou no Grupo Escolar Princesa Isabel, no Colégio Brasileiro e Colégio Estadual do Amazonas. É economista formado pela Universidade do Amazonas. Foi merecedor do Diploma da Medalha do Mérito Esportivo. É articulista do Blog Amazonas Atual e torcedor no Naça.

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