Um bonde chamado desejo

Em 12 de maio de 2016 às 09:00, por Amaury Veiga.

compartilhe

Aqueles com mais de 50 anos lembram perfeitamente o que os bondes significavam quando circulavam em Manaus até a década de 60.

Para nós, adolescentes na época, era uma grande Alegria!

Começava pela “morcegagem” e passava pela colocação de cacos de garrafas nos trilhos para fazer cerol! Caso o cobrador empunhasse a lança que separava os ramais para retirar o vidro moído, era a glória! Alertávamos os companheiros que estavam adiante, e eles passavam sabão nos trilhos para dificultar a tração e o movimento do carro!

Na nossa rua, a Ferreira Pena, tínhamos um recurso adicional para intimidar o cobrador e condutor: tomates podres, bananas estragadas e o escambau, restos da feira, que estocávamos para essa contingência e eram disparados como katchuskas sobre o bonde! Tudo isso comandado pelo querido Messias, que há pouco nos deixou!

Não era Paris, mas era uma festa!

O que menos importava, para nós, era o excelente, confortável, seguro e preciso serviço que as linhas de bondes prestavam. Digo tudo isso porque, no mundo inteiro, os bondes estão voltando como uma solução para os problemas de transporte de massa, solução essa, que não deveria, nunca, ter sido descartada!

Vamos aos dados:

Paris, com cerca de 12 milhões de habitante, que há 56 anos desativou os bondes, desde 2006 com a linha T3, opera mais 3 linhas e tem mais 4 prontas para entrar em serviço até 2014;

Outras cidades francesas, como Nice, Estrasburgo, Marselha, etc. possuem excelentes e modernas linhas de bonde; e, finalmente,

Nos EUA, após a chegada de Obama ao poder, o governo federal modificou sua política de financiamento aos estados na área de transportes coletivos e uma verdadeira “febre” de construção de linhas de bondes está ocorrendo!

O “x” da questão veio do entendimento que os bondes, além de silenciosos, rápidos e confortáveis, i.e., ecologicamente corretos, são de fácil implantação e eficientes ao proporcionar uma paisagem urbana atrativa e estimulante nos centros urbanos, canalizando investimentos e saudável renovação dessas áreas.

Acho que valeria a pena a próxima administração municipal pensar em implantar, novamente, as linhas de bondes.

sobre o autor

Articulista-Amaury-VeigaÉ o que quis ser desde criança: engenheiro civil. Especializou-se em estrutura, numa carreira que já completou quarenta e quatro anos. Tem mais de quatro mil projetos de sucesso. Só não contava que, ao longo de sua trajetória de vida, também se dedicasse ao tênis, jazz, cinema, comida japonesa e agora escrever artigos.

comentários

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *