TV: um exemplo fitness

Em 6 de junho de 2017 às 07:00, por Henrique Pecinatto.

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É de senso comum e estatístico que na média a população mundial tem sua massa corporal aumentada se comparada com anos anteriores, e isso em parte se deve aos avanços tecnológicos nas áreas de produção e armazenamento dos alimentos. Entretanto, os aparelhos televisores vem na contramão desta tendência tendo suas dimensões diminuídas com os anos e com isso sendo um exemplo fitness.

O bisavô dos televisores convencionais que fizeram parte de nossa infância/juventude tem sua origem no imigrante inglês tubo de Crookes. Sir William Crookes, na longínqua década de 1870, inspirado pelas ideias do americano Benjamin Franklin acerca da eletricidade poder se mover em meios que não fossem sólidos ou líquidos, construiu um tubo de vidro e dentro dele colocou um gás qualquer, porém com poucas partículas (gás rarefeito). Dentro deste tubo também continha um par de eletrodos (um positivo e outro negativo) que quando submetidos a uma diferença de potencial (tensão), fazia com que o gás dentro do tubo brilhasse. Crookes verificou que ao mudar o gás, a cor que brilhava também mudava.

Este fenômeno gerou grande interesse por parte dos cientistas, que aperfeiçoaram este tubo. Nomeado de tubo de raios catódicos, consistia de placas e fendas metálicas, onde uma espécie de raio saía de uma placa carregada negativamente (cátodo), posicionada em uma das extremidades do tubo, e ia em direção à placa carregada positivamente (ânodo) na outra extremidade, mediante uma diferença de potencial, no caso, uma bateria. Essa espécie de raio era que parecia fazer com que o gás brilhasse, e verificaram que aproximando um ímã ou uma carga elétrica, este raio era desviado. Concluíram então que, o que constituía este raio possuía uma carga negativa, pois o raio era atraído por cargas positivas e afastado por cargas negativas. Diante de todas estas descobertas, em 1897, o físico inglês J. J. Thomson – ele mesmo, o “pai” do elétron – conseguiu obter uma relação entre a carga elétrica e a massa desta partícula que compunha os raios catódicos por meio de medidas precisas dos desvios que os feixes faziam sob ação de um campo magnético externo. A essa partícula foi dada o nome de elétron, cuja entrevista pode ser encontrada neste site. Com isso temos quase todos os ingredientes fundamentais que constituíam os aparelhos televisores de antigamente.

Como o ditado popular diz que um bom filho a casa torna, um jovem americano foi o responsável pela invenção do avô da forma dos televisores que conhecemos. Mas como é o televisor que conhecemos? Por fora é uma enorme caixa cuja parte frontal havia um vidro que mostrava imagens (geralmente com bastante ruídos e alguns chiados) num comprimento diagonal em torno de 14 polegadas. Por dentro, é um tubo de raios catódicos com um conjunto de bobinas e uma tela fosforescente. O feixe de elétrons emitido pelo cátodo é ajustado pelo conjunto de bobinas, fazendo com que este percorra da esquerda para a direita, de cima para baixo, em linhas retas, todo o material fosforescente que reveste a tela. É como um pintor pintando uma parede com um pincel. Ele sobe alguns degraus da escada de maneira a ter uma melhor posição, molha as cerdas do pincel na lata tinta e começa a pintar uma linha reta até o final da parede. Se ele apertar um pouco mais forte o pincel contra a parede, digamos que a tinta seja verde, a quantidade de tinta na parede será maior, e o efeito é que tenhamos um verde mais intenso. Assim ele faz, linha por linha até completar a parede. Certamente pintar uma parede com um pincel não é o método mais rápido, porém, se o intuito for fazer uma imagem somente com uma cor de tinta, usar linhas mais estreitas permitirá com que ele obtenha um maior nível de detalhe na construção da imagem. Esse número de linhas para a televisão está atrelada a sua resolução.

Assim acontece nos televisores de tubo, os CRT (Cathode Ray Tube), o feixe de elétrons atinge o material fosforescente que brilha em diferentes escalas de cinza conforme as informações das ondas eletromagnéticas são enviadas pelos transmissores. Tudo isso acontece de maneira muito rápida e nossos olhos entendem como algo contínuo. Com o passar dos anos uma tecnologia já presente nos displays de relógios e calculadoras, o display de cristal líquido (LCD), passou a dominar o mercado de monitores de vídeo. Embebidos numa bagagem teórica e de engenharia mais profunda, os monitores LCD com painéis de Plasma, LED, Ponto Quântico, praticamente substituíram todos os CRTs pois precisam de menor energia para funcionarem, não possuem um tubo de raios catódicos em seu interior, e isso faz com que suas dimensões diminuam consideravelmente, uma maior quantidade de resolução, entre outros fatores técnicos. Um exemplo de como a ciência contribui para um mundo mais fitness, ou não.

sobre o autor

Henrique PecinattoAprendiz nível II de Físico, que em minha escala significa "falta muito para entregar a dissertação". 30/49 amazonense e apaixonado por esportes. Um curioso por natureza e da natureza, acha engraçado o caminhar das formigas, e amante de ímãs, mas tem um certo temor de eletrodinâmica.

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