Sensação de perigo

Em 25 de janeiro de 2017 às 08:00, por Gilson Gil.

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Há algum tempo que venho escrevendo sobre a situação ruim das ruas, calçadas e avenidas de Manaus. Indo além, venho falando que está difícil morar nessa cidade. Violência, informalidade extrema, sujeira, buracos, alagações e trânsito caótico são alguns dos problemas que assolam os bravos moradores, que, algumas vezes, são cúmplices ativos desse estado de coisas.

Contudo, o que é ruim pode piorar. Para celebrar o ano novo, o sistema penitenciário implodiu de forma retumbante. Fugas, extermínio e rebeliões marcaram janeiro em Manaus. A vida noturna, que já estava assolada pela crise, caiu vertiginosamente, pelo medo de assaltos. As pessoas andam apavoradas pelas ruas, ameaçando correr ao primeiro grito de “arrastão”. Confusões e boatos se misturam o tempo todo. Os números sobre foragidos oscilam, nas contas oficiais e nos rumores que circulam entre os moradores. Gestores caem, outros permanecem e a situação de balbúrdia continua firme consolidada.

Cerca de vinte e cinco dias depois do fato principal, a guerra/extermínio entre facções no presídio, o balanço é péssimo. Presos ficaram rodando entre cadeias e cidades, sem pouso definido. As denúncias de corrupção abundam e ameaçam mais gestores. O controle total sobre as penitenciárias – fato que deveria ser óbvio – ainda é contestado por vários relatos na imprensa.

A sensação de perigo e descontrole se generalizou, enfim. Para piorar, pois nada é tão ruim o bastante, aparece uma greve de ônibus e complica mais ainda o cotidiano do morador.

Em resumo, o ano de 2017 começou muito mal para os habitantes de Manaus. Se já era ruim andar pelas ruas, agora, ficou perigoso de fato. E isso se potencializa por vermos que os governantes se encontram “perdidos”, sem ter uma ideia do que realizar. Anos e anos de negligência se acumularam e caem sobre os ombros do cidadão. Como perambular pelas ruas tranquilamente? Como atrair turistas para esse caldeirão que virou Manaus? O que oferecer ao viajante? O que falar aos habitantes locais?

Finalizo dizendo que, pelos indícios, será um ano duro, sofrido e longo, muito longo, para todos nós, moradores de Manaus.

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sobre o autor

Articulista-Gilson-GilCarioca, nascido em Madureira e criado no Catete. Sociólogo e professor da UFAM, já trabalhou em várias instituições de ensino no Amazonas e em outros Estados. É torcedor do Flamengo, está em Manaus desde 1992 e possui uma filha meio carioca, meio manauara. Torce pela cidade e pelas pessoas que aqui vivem.