Ranço provincial ou monotrilho?

Em 21 de abril de 2016 às 09:00, por Amaury Veiga.

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Fiquei, pelo menos publicamente, fora das discussões sobre as opções do sistema de transporte para atender as exigências da Copa do Mundo e, primordialmente, aliviar o nosso infernal trânsito.

O nível do debate e as opiniões mais anacrônicas e fantasiosas possíveis prevaleceram. Isso motivou-me, embora extemporaneamente, como cidadão, escrever estas linhas.

Primeiro, para desmentir a informação de que o monotrilho era inviável, caro, não compatível com as nossas condições, além de ser rejeitado pela maioria dos países e blá, blá, blá. Tal afirmação era uma falácia!

Tóquio, uma das maiores capitais do mundo, opera o sistema há décadas! Com lucro!

Outro exemplo é o de Shangai, com a variante maglev, a mais nova tecnologia existente no transporte de massa.

Várias cidades, no mundo inteiro, estão projetando e/ou colocando em operação seus monotrilhos! São Paulo prevê a extensão da Linha 2 Verde com monotrilho.

Se outras grandes cidades não implantaram o sistema foi porque o transporte coletivo existente, é eficiente e dá conta do recado. Vide Londres, possuidora de um sistema de ônibus dos mais eficientes no mundo!

Segundo, para desmontar a afirmação de que “o monotrilho iria descaracterizar o centro histórico”!

Como exclamaria um dileto amigo: Cristo!

O Centro da cidade está, há décadas, repito, décadas, Descaracterizado!!

Mas os rançosos notaram que o monotrilho descaracterizaria o Centro?  Deviam estar brincando! Como o monotrilho descaracterizaria ainda mais o Centro? Era possível piorar aquela Babel? Gostaria de ver uma simulação de como o monotrilho agravaria a situação!

Talvez fosse conveniente contratar um especialista, no caso, o deputado (?) Francisco Everardo Oliveira Silva,   eleito com o slogan “Pior do que tá não fica!”, ou algo parecido!

Por enquanto, basta dos rançosos! Vamos aos dados.

Possuímos duas vias seminais na cidade: a D. Batista e a C. Nery. São os tais Eixos Norte-Sul.

Amainado o transito, lá pelas 22:00, uma perfuratriz de grande capacidade p.e., capaz de perfurar estacas com diâmetro Ø80cm, executaria os furos a cada, digamos, 60m no canteiro central, furos que seriam imediatamente concretados.

Com um serviço bem planejado, nas outras noites seriam montados os pilares metálicos, as vigas metálicas, etc.

Por que a opção pelo aço? É mais leve, tem grande resistência, e permite a pré-fabricação em canteiros externos, com a montagem ocasionando mínimo impacto no fluxo de transito.

Os pilares e vigas metálicas possibilitariam os vagões, digamos assim, trafegarem a 5,00/6,00m de altura, sem interferência significativa na plataforma rodante abaixo.

As paradas e estações de acesso ocupariam menos espaço do que as do fracassado Expresso (?).

Dados típicos de tal sistema são:

Velocidade nas áreas centrais– 30,00 km/h;

Velocidade fora do centro– 50,00/ 60,00 km/h;

Capacidade– 40.000/ 50.000 passageiros/h;

Economia de energia– da ordem de 5 vezes menor que o modelo tradicional;

Custo total –10% a 30% do sistema tradicional; (as desapropriações e obras auxiliares serão mínimas);

A implantação de um monotrilho da maneira descrita acima, demandaria menos tempo, temos certeza, e atenderia não só a Copa, mas, primordialmente, como dissemos acima, a nossa querida Cidade, agora que a euforia da Copa passou.

Finalmente, também escrevi estas linhas para acabar com a panelinha de pseudo técnicos/intelectuais que acreditam ter o monopólio das opiniões sobre todos os assuntos de interesse da comunidade, dando a entender que eles, somente eles, ninguém além deles, devem ser ouvidos!

sobre o autor

Articulista-Amaury-VeigaÉ o que quis ser desde criança: engenheiro civil. Especializou-se em estrutura, numa carreira que já completou quarenta e quatro anos. Tem mais de quatro mil projetos de sucesso. Só não contava que, ao longo de sua trajetória de vida, também se dedicasse ao tênis, jazz, cinema, comida japonesa e agora escrever artigos.

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