Parcas impressões de viagem

Em 18 de maio de 2016 às 07:00, por Jeferson Garrafa Brasil.

compartilhe

Foram 23 dias de viagem, justa e merecida, pelas bandas de Portugal, Itália e França. Nestes dois últimos, a bronca alta é com a questão de uma imigração com cara de invasão e jeitão de fatura histórica. Os caras estão com um bando de terroristas na sala e uma multidão de imigrantes batendo na porta. Entre pouca solidariedade, grande indiferença, crescente e forte xenofobia, essa massa de infelizes. Isso, nos dois lados do Mediterrâneo. Não sei bem porque, lembrei dos haitianos no Brasil….

Na hora que os porras loucas do terror quiserem, eles se explodem em qualquer estação de metrô de Paris.  Não vi uma fiscalização sequer em nenhuma das que utilizei.  Não senti medo, mas não deixava de pensar que o monsieur do lado poderia ir pelos ares e me levar junto.  No entanto, pelos boulevards e cafés, a turma botando pra quebrar. Lugares sempre com muita gente. Numa manhã, estava de bobeira num daqueles cafés, quando, do nada, rabisquei no guardanapo: “Liberté, Egalité, Impichité”. Como acho que a boiada é a mesma, e tenho uns amigos que podem se chatear comigo, arremessei o tal guardanapo na lixeira.

Em Milão, uma rinite aguda me pegou de jeito e o jeito (desculpem o repeteco) foi ficar no tour cama de hotel – ristorante – remédio.  Mesmo assim, deu pra assistir  uma original leitura jazzística de canções italianas. No palco, o cantor Fábio Concato, tendo a acompanhá-lo nessa aventura musical os excelentes Fabrizio Bosso (trumpete) e Julián Mazzarielo (piano). Quase 2 horas de um show irrepreensível.  Garanto a você, no entanto, que o nosso Teixeira de Manaus e seu sax, não fariam feio no meio daquela turma.  Se você sorriu, deve ser por nunca ter ouvido o grande Teixeira mandando ver um jazz.  Vai por mim, pois eu já tive esse prazer. Um pré-show do John Pizzarelli, no Tropical hotel Manaus.

Naviglio Grande (Milão) e Canal Saint Martin (Paris) a rigor, são braços de rio dentro dessas cidades, com lojas e restaurantes nas margens. Lugares super agradáveis.  Por que em Manaus não temos algo parecido? Por que aqui aterram e sufocam nossas águas? Com a palavra nossos bem falantes dirigentes e governantes.

Ah, a Terrinha! Na Terrinha a gente tem aquela sensação gostosa de “estou em casa”. Tanto pelo idioma como pela simpatia dos patrícios. Falar de vinho e comida é lugar comum.  Passo.

Lá, a cobertura na TV da situação política do Brasil existe. Inclusive com analistas abordando, com certa estupefação, o que acontece por aqui. Talvez nem devessem ter toda essa estupefação, pois, como somos parecidos. Algumas broncas de lá: 273 nomeações sem concurso… obras demoradas e caras… gente graúda investigada… ex-primeiro ministro é também ex-preso… branqueamento de capitais…  Bem familiar, não?

A população de Portugal não está se renovando a taxas desejáveis.  Estão a discutir medidas para resolver o problema e, por vezes, as discussões ficam bastante acaloradas. A cereja do bolo:  um nobre deputado patrício propôs que “a masturbação seja criminalizada”.  Ele não deu detalhes de questões operacionais ligadas a flagrante, recolhimento de provas, depoimentos, testemunhas, reconstituição, etc.

Deve achar que, se “pré-projetos” de gajos e raparigas não escoarem pelos ralos portugueses e se perderem no Tejo, a questão será mitigada.  Trouxe o jornal comigo.

Comentários

sobre o autor

Articulista-Jeferson-BrasilFoi baterista, segundo ele, do sofrível conjunto musical “Os Paqueras”. Jogou basquete, futebol e tênis de quadra. Admite, orgulhosamente, que seus dois irmãos jogavam muito mais. Sua vingança é hoje ser corredor de rua, com sonho de virar maratonista. É cronista bissexto.