Ousadia urbana

Em 29 de março de 2017 às 08:00, por Gilson Gil.

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É muito chato ficar apenas reclamando, sem fornecer opções reais aos leitores. Não gosto de quem fica no popular “mimimi”, evitando dizer quais seriam os caminhos para resolver os problemas reais.

Falei muito, em artigos anteriores, sobre as ruas, a confusão e a informalidade anárquica e violenta que impera em Manaus. Porém, precisamos adiantar alguns eixos sobre os quais edificar certas opiniões e teses.

Em primeiro lugar, começando pelas ruas caóticas e os engarrafamentos absurdos, posso arriscar que o ponto chave, raciocinando realisticamente, é ter ousadia e paciência. Ousadia, pois, sem mudar paradigmas, não será possível melhorar a vida da cidade. Colocar recuos, retornos ou sinais novos não e’o bastante. Isso está claro. Adicionar mais veículos, com duas ou três carrocerias, mesmo em faixas exclusivas, parece pouco, pois as vias são iguais e levam aos mesmos locais de antes. O BRT vai atuar em apenas uma zona da cidade, nas faixas de sempre e precisará de alimentadores e distribuidores que façam o sistema funcionar. Isso vem desde o falecido expresso e já mostrou severas limitações reais.

Temos de pensar de maneira ousada. Criar viadutos e passagens de desnível. Há gargalos, como na Djalma com João Valério e na Paraíba com André Araújo que são crônicos. A rotatória do Coroado precisa de um trevo, que distribua o tráfego uniformemente. Da mesma forma, negociações complicadas com a UFAM e o exército poderiam ser feitas, a fim de serem pensadas entradas novas para o campus e uma via na orla da Ponta Negra, que ligasse a zona oeste ao centro. Seriam opções para desafogar Japiim, Coroado e São José, além de agilizar a circulação entre as zonas norte, oeste e sul. As licenças e permissões são muito difíceis de serem obtidas. Contudo, sem projetos ou articulações, é que isso será impossível mesmo.

A paciência entra aqui. Obter licenças ambientais e arqueológicas  é um capítulo em separado nas obras urbanas ou rurais. Projetos bem executados e planejados com rigor são necessários ao extremo. Empresas profissionais, com especialização nesses setores, precisam ser licitadas e contratadas com tempo bastante para enfrentar esse duelo.

Sem tal alteração de paradigma, de visão de mundo, iremos chover no molhado. Ideias como BRT ou monotrilho, caso sejam nas mesmas ruas atuais, apenas restringindo vias ou faixas, será trocar seis por meia dúzia. Caso não consigamos pensar corajosamente, abrindo novas vias, construindo “obras de arte”, mudando a paisagem urbana, estaremos apenas empurrando o problema. Por outro lado, só coragem não basta. A paciência e o realismo são vitais. As licenças serão demoradas e complexas. Isso tudo sem falar nas indenizações. Casas, lojas e terrenos no meio do caminho dessas novas vias precisarão ser avaliadas e os donos, indenizados. Os recursos serão elevados e algumas contestações surgirão. É preciso que os projetos e termos de referência estejam adequados e ajustados.

Enfim, esse foi o começo de pensar artigos com positividade, sem críticas apenas. Mais tarde, voltaremos a mais temas concretos e opções urbanas viáveis.

sobre o autor

Articulista-Gilson-GilCarioca, nascido em Madureira e criado no Catete. Sociólogo e professor da UFAM, já trabalhou em várias instituições de ensino no Amazonas e em outros Estados. É torcedor do Flamengo, está em Manaus desde 1992 e possui uma filha meio carioca, meio manauara. Torce pela cidade e pelas pessoas que aqui vivem.

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