Os barrancos do Amazonino e os ingleses

Em 13 de junho de 2016 às 14:54, por Roberto Caminha Filho.

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Eu estava com 16 anos e estudava no melhor colégio do mundo: o Colégio Estadual do Amazonas. Estávamos sendo perseguidos pelo Céu, que queria nos afogar com três dias de chuvas fortes. Estudávamos na sala de canto, do andar superior, com vistas para a Av. Getúlio Vargas canto com a Av. 7 de setembro. Ali, no canto do Colégio Estadual, ainda existe uma boca de esgoto que ainda forma uma bela piscina sem cloro. Às nove horas da manhã, antes de tocar o sino da merenda, ouvimos uma grande gritaria de horror chegando da esquina. Fomos todos para a janela e uma aglomeração de mais de cinquenta pessoas, todas horrorizadas, tentando salvar alguma coisa, sem que existissem recursos para tal intento. Dois garotos, procuraram diversão nas águas do esgoto e um deles foi sugado pela força da corrente. As pessoas que estavam sob as marquises do Cine Politheama e do Café do Pina, gritaram. O colega foi salvar o companheiro e teve sorte idêntica. A cidade ficou triste com a morte brutal de dois garotos que procuravam uma diversão nas chuvas inclementes que tanto nos ajudavam. Foram dois dias de muitos comentários e, no fim da manhã do segundo dia, no Porto de Manaus, ouviram os pedidos de socorro de duas vozes, que estavam debilitadas. Eram os dois garotos que haviam sido tragados pelo esgoto, e pelas imensas galerias feitas pelos ingleses, caminharam sem o menor problema pelas calçadas e, seguindo as águas, chegaram a um Porto Seguro. A cidade entrou em comemoração e em cada roda de amigos a palavra “ingleses” era fartamente usada. De lá para cá, sabe-se que temos esgotos até a Rua Leonardo Malcher e, entendam: acabou-se o que era doce.

O ano de 2014 fez com que o Prefeito Amazonino fosse até uma invasão e pedir que famílias saíssem de barrancos em alto risco. A invasora agrediu o prefeito, que não entendendo a troca da vida pelo barranco em queda, bradou o seu Grito do Barranco Caído:

“Então morra!”

Isso seria cômico, se não fosse trágico. Os barrancos continuam desmoronando aqui e alhures. Todos os dias vemos pelos canais internacionais e nacionais, casas e edifícios sendo derrubados pelo rigor das chuvas, tsunamis, enchentes e má edificação.

Na semana, de 11 a 16 de maio de 2016, na Rua Tapajós, em frente à Prodimagem, a rua desmoronou. As águas pluviais encontraram seus caminhos pelo interior da rua e driblaram a bela construção de concreto feita pela empresa. A falta de trânsito pela Rua Tapajós mostrou toda a sua importância. O centro da cidade ficou um caos total. Tudo por causa da falta que faz a Rua Tapajós para a fluição dos carros e ônibus. Isso tudo para dizer que na eleição do Serafim para prefeito, conhecemos uma empresa que possuia um caminhão que radiografava a rua por onde passava. Esse Raio X, mostrou-nos ruas e boulevards com gravíssimos problemas de infiltração. A minha cidade mostra muitos problemas com a infiltração e a Rua Tapajós foi só um aviso para que nada aconteça de mais grave. A Clínica Prodimagem, muito bem construída e com aparelhagem e médicos do melhor nível, quase era tragada pelas infiltrações da grande precipitação das chuvas do mês de abril e maio.

Acredito que vale a pena os engenheiros e arquitetos da nossa cidade se preocuparem com esse problema. Vejam como os ingleses faziam e imaginem o que possa acontecer com as novas construções.

O pensador americano Leo Buscaglia deixou para as novas gerações, uma frase inspiradora:

“Primeiro as pessoas, depois as coisas”

Roberto Caminha Filho, economista, adora Manaus.

Galerias pluviais construídas pelos ingleses

sobre o autor

Articulista-Roberto-CaminhaAmazonense de Manaus, estudou no Grupo Escolar Princesa Isabel, no Colégio Brasileiro e Colégio Estadual do Amazonas. É economista formado pela Universidade do Amazonas. Foi merecedor do Diploma da Medalha do Mérito Esportivo. É articulista do Blog Amazonas Atual e torcedor no Naça.

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