O maior ilusionista do século XX

Em 21 de novembro de 2017 às 08:00, por Henrique Pecinatto.

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O final dos anos 1800 mostrou-se muito promissor na área da física, e o campo do entretenimento também não ficou para trás com o advento do cinema. A mente humana parece se interessar pelo que não entende, como por exemplo os realistas efeitos especiais da época. Entretanto, havia uma pessoa que conseguia fazer isso ao vivo e não em um filme. Assim era o Grande Houdini, que em suas apresentações conseguia deixar perplexos todos que o assistam, ora se livrando de algemas, outras se livrando de algemas dentro de um tanque de água. Seus feitos estão marcados na história, no limite do condicionamento mental e físico que o ser humano é capaz de suportar; mora na incredulidade de quem o assistia onde no final toda a angustia se transformava em alegria por ele ter conseguido; reside na dúvida sobre como ele fazia aquilo e frustação por não terem compreendido. Seria ele o maior ilusionista da história?

Aqui apresento um outro candidato que considero ser um forte concorrente ao cargo de maior da história: o sabão em pó. Valendo-se da mão de obra dos operários para fins militares durante a Segunda Grande Guerra, a produção de sabão de modo mais artesanal fora comprometida e graças a muitas pesquisas ganhou modernidade com a vinda dos detergentes sintéticos, o nosso popular sabão em pó. Ele milagrosamente transformava roupas sujas em brancas com um brilho incomparável, e assim o faz até hoje. Bem como Houdini tinha seus segredos para realizar suas façanhas, toda ilusão tem uma explicação por trás. Qual será a do sabão em pó?

Na composição do sabão em pó há uma substância (um corante) que apresenta uma propriedade chamada de fluorescência.

A fluorescência reside sua explicação no campo da mecânica quântica com implicações no mundo macroscópico. Como já vimos, um átomo é também formado por elétrons, partículas (até onde se sabe) de caráter fundamental, e dentre outras coisas, são responsáveis pelas propriedades químicas dos elementos. Podemos entender a luz (uma onda eletromagnética) como sendo constituída por partículas fundamentais (com características muito diferentes das do elétron) chamada de fóton, e cada fóton carrega uma energia específica que é múltiplo de uma constante de valor muitíssimo pequeno (ou seja, a energia é quantizada), um quantum de luz, que depende da frequência ou comprimento de onda desta onda.

Este fóton pode interagir de vários modos diferentes com os elétrons ligados aos átomos, e no caso da fluorescência acontece que, a energia de um fóton ultravioleta é transferida para um elétron que vai para um estado de energia mais alta que anteriormente (que era o estado estável, de equilíbrio) e, ao retornar ao estado inicial, libera outro fóton com energia correspondente à diferença de energia entre o estado de mais energia e o estado fundamental. Esta energia, neste caso, está associada com uma onda eletromagnética de frequência correspondente ao de uma luz do espectro visível, fazendo o material brilhar, por exemplo, em vermelho.

Podemos tentar fazer uma analogia para entendermos melhor com o seguinte: uma pessoa espera pacientemente em pé numa fila do banco para ser atendida. Uma pessoa apressada esbarra nessa pessoa que está na fila, e nesse encontro a pessoa que esbarra perde um pouco sua velocidade (ou melhor dizendo, perde um pouco de seu momento linear, que é o produto entre a massa de um corpo e sua velocidade) e a pessoa que sofreu o esbarrão perde um pouco seu equilíbrio. Tendo que, por exemplo, levantar levemente sua perna e movimentá-la a fim de endireitar seu corpo e restabelecer o equilíbrio, a sequência natural é retornar a perna levantada para a mesma posição anterior, e provavelmente isso irá fazer algum barulho devido o toque do calçado com o chão. Este barulho seria o análogo ao fóton liberado em função de o elétron ter voltado ao estado de equilíbrio, assim como o barulho foi devido ao pé ter voltado para a posição de equilíbrio.

sobre o autor

Henrique PecinattoAprendiz nível II de Físico, que em minha escala significa "falta muito para entregar a dissertação". 30/49 amazonense e apaixonado por esportes. Um curioso por natureza e da natureza, acha engraçado o caminhar das formigas, e amante de ímãs, mas tem um certo temor de eletrodinâmica.

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