O Humor Das Forças Políticas

Em 23 de agosto de 2018 às 09:00, por Roberto Caminha Filho.

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As notinhas do Facebook, Instagram e Whatsapp estão ficando pesadas a cada dia. Amigos de longas datas começaram a trocar palavras fortes e de baixo calão no Facebook e Instagram. No Whatsapp, o pau já está cantando solto, de todas as formas e maneiras. Boas maneiras. As mais moderadas e extremadas formas de democracia começam a ser encontradas a cada plim do celular. Todos que sabem juntar as consoantes com as vogais e aplicar alguns dígrafos, já têm o seu modelo de democracia e não querem nem saber onde começa o direito do outro amigo. O meu pai, Roberto Caminha, exemplo de político Eirunepeense, detestava o tema, mas lia tudo a respeito dos nossos dirigentes.

O Dr. Roberto sempre me nocauteava quando falava do tema, nunca desrespeitando o pensamento dos presentes à mesa em que se encontrava. O Robertão tinha um perfil de extrema-direita. Viajava dois dias para ver o Garrincha jogar no terceiro, e era flamenguista com cheirinho de títulos. O Garrincha não permitia. Na eleição em que eu votei no Ulysses para a presidência, perguntei sem a menor pretensão, sobre aquele que se sentiria honrado com o voto do tabelião. Veio um gancho de esquerda que me deixa troncho, até hoje:

– No Leonel Brizola, claro!

Alguns minutos após o nocaute, e com dois litros de amoníaco cheirado, consegui perguntar sem qualquer vontade de continuar a luta.

– Por que, Cidadão?

– Porque o Brizola foi forjado na luta. O Brasil não precisa desses líderes feitos na sala política em que sempre fizeram suas refeições. O Brizola veio da terra, da luta armada, sabe o que o povo precisa e suas urgências.

Desmaiei!

– Robertinho, o povo ainda aprenderá a votar. É um treinamento, lento e prolongado. A vitória da democracia é melhor ensinada pelo voleibol feminino do Brasil. Elas treinaram muito e venceram do Peru. Cuba estava lá no último andar do pódium. Para chegar lá, treinaram muito, gastaram litros de sangue. Perderam muitas vezes e, a cada derrota, os placares eram menos elásticos. Um dia, no interior de São Paulo, depois de muitos socos e pontapés, o Brasil com perfumes e maquilagens, venceu. E gostou, deixando Cuba com aquele gostinho de: “Não dá mais”. Na democracia, o povo perderá muitas vezes e, um dia, aprenderá com o sangue derramado pelos votos errados. Vamos precisar de muitos treinos nas urnas.

Um dia, estávamos almoçando na casa dele. O Lula, todo bonito, cheio de rouge e pó-de-arroz, manipulando a faixa presidencial com uma habilidade de dar inveja. O metalúrgico deve ter treinado com afinco aquele gesto macio e bonito. O Cidadão amassava o seu feijão marrom e olhava por cima das lentes. Eu caí na besteira de perguntar:

– E aí Cidadão! O cara tá com a bola toda. O que ele pedir, o povo fará. O upper veio, e quase vinte anos depois, ainda morro de rir.

– Só ele não sabe que será preso e desmoralizado diante dessa mesma plateia que o carrega. Robertinho, o nosso presidente só é um homem super inteligente, que sabe fazer política. Nunca estudou, nunca leu um livro. Só sabe fazer contas de multiplicar e dividir, se for com a maquininha. Seus “cumpanheros”, ao contrário dele, estudaram nas melhores faculdades do mundo, têm diplomas de mestres e PhD. Esses mostrarão ao mundo como é que se rouba um povo analfabeto. Eles rasparão os pratos dos seus próprios eleitores, transferirão volumes imensos para outros países e paraísos fiscais, e esse coitado aí, que não sabe ver uma prestação de contas, um balanço, uma compra de bilhões, será enganado com títulos de todas as naturezas. Ele flutuará nas nuvens da ignorância e, no final, com todos os diplomados, incrivelmente ricos, esse pobre coitado será preso e condenado para o resto da vida.

Hoje, aos 95 verões, invernos, outonos e primaveras, responde, sem o menor espanto, quando indagado por mim:

– Cidadão, o que o senhor acha do Presidente Lula?

– Tenho pena dele. Ele já foi preso? Se ainda não foi, será! Uma certeza que espantava o Paulo Figueiredo. O Paulo dizia que o Cidadão era o cara que dava aula de conversa. Um esclarecido que sabia conversar e respeitar as pessoas da mesa.

Hoje, não tendo o Paulo, e o meu pai sem a menor vontade de falar em política, rezo com o Papa Chico e oro com o Bispo Didi Macedo, para que os meus amigos respeitem os limites que a democracia nos impõe.

Vamos às urnas com a gentileza do profeta.

 

Roberto Caminha Filho, economista e nacionalino,

adorava a política partidária. Hoje, só torço pelo Brasil.

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sobre o autor

Articulista-Roberto-CaminhaAmazonense de Manaus, estudou no Grupo Escolar Princesa Isabel, no Colégio Brasileiro e Colégio Estadual do Amazonas. É economista formado pela Universidade do Amazonas. Foi merecedor do Diploma da Medalha do Mérito Esportivo. É articulista do Blog Amazonas Atual e torcedor no Naça.