O homem preso no tempo

Em 31 de agosto de 2017 às 08:00, por Otoni Mesquita.

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Não é um tempo passado, como pode sugerir o título. Ele tenta está em todos os tempos. Corre enlouquecido, de uma década para outra, volta no século e corre pelas redes virtuais. Guiado por textos, imagens, folhetos e outros materiais carregados de informações. São como lembretes para os compromissos que o retém. Textos que jamais foram totalmente decifrados, outras palavras para rever e compreender. Contudo, não dispensa coleções de muitas coisas que pretende levar pela vida. Imagens para revisitar ou simplesmente para escapar. Muitos lembretes para serem acordados e esquecidos. Talvez o homem não esteja preso no tempo, mas perdido entre tantas informações que são modificadas, substituídas ou que perderam as referências.

Cartas tão amistosas e íntimas, mas que já não se sabe de que mãos vieram. Segue o homem, carregado com suas coleções para lembrar. Cai num mundo extremamente cheio de dados. Mais imagens, muito mais informações e um tempo menor para digerir e assimilar. Tantos acontecimentos surpreendentes que já não surpreendem por serem comuns e tão menores que os impactos de amanhã.

O homem se debate num tempo em que tudo se mistura, sem querer desvencilhar-se de seus diferentes tempos. Não é um homem de um só tempo. Mesmo porque jamais conseguiu se enquadrar em qualquer um deles. O homem se busca no tempo, tentando encontrar referências que o retenha. Perdido entre muitos tempos. Não há como escolher um só tempo. Na verdade, todos eles já passaram e agora se reformula. Como num rito de passagem. Tenta recolher velhos e novos materiais para descartar. É como esvaziar o balão para fazê-lo subir.  Voa homem!

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sobre o autor

Amazonense, artista visual e historiador da cidade. Gosta de literatura, música, cinema e fotografia. Não dirige, mora no centro da cidade. Nada no Nacional e anda pela cidade olhando e fotografando pequenas coisas.