Minha Cidade Soterrada

Em 16 de novembro de 2017 às 08:00, por Otoni Mesquita.

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Há muito minha cidade já não é a mesma. Foi invadida e degradada.

Cheia de criaturas e vazia de espírito. Patinam sobre a terra molhada e fazem de tudo uma lama.

No final do dia embalam e amarram suas bancas. Abandonam os escritórios, as lojas e os subempregos – Vão em manadas. Se retiram para as muitas periferias.

A cidade vazia. Muitas cidades se foram. De algumas ficaram fachadas, de outras nem isso. De algumas a imaginação, de outras a tristeza. Muitas cidades se aglutinaram a minha. Os limites já não são tão claros. Em tudo se misturam, tempos, estilos, pobres, ricos, belos e horrorosos. Cidade calada e aos gritos. Cidade do riso e da tristeza.

Apartamentos de luxo e dos casebres de sobrevivência. Dos perfumes e fedores, das cores e da sujeira. Do trabalho e do desemprego. Da saúde e das dores. Cidade dos santos e dos mundanos. Das lembranças e do futuro. Dos jardins e do concreto. Dos amores e da solidão. Dos prazeres e do rancor. Das comunicações e dos isolados. Da memória e do consumo. Da noite e do dia.

sobre o autor

Amazonense, artista visual e historiador da cidade. Gosta de literatura, música, cinema e fotografia. Não dirige, mora no centro da cidade. Nada no Nacional e anda pela cidade olhando e fotografando pequenas coisas.

comentários

Uma resposta para “Minha Cidade Soterrada”

  1. Izabel disse:

    Gostei muito, aches muito triste
    Voce e uma Pessoa Alegre e de bem com a vida
    Voce me pareceu Estar précisando de um abraco
    Sinta-se abracado
    Um beijo carinhoso
    Estou com saudades
    Sua prima
    Iza

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