MANAUS, UMA CIDADE A SER VISITADA?!

Em 30 de maio de 2019 às 08:00, por Gilson Gil.

compartilhe

Uma das coisas que mais impressiona em Manaus, hoje em dia, é a ausência de pessoas andando nas ruas. Excetuando-se poucos pontos, como as ruas comerciais de Alvorada, Parque Dez e São José, os bairros de Manaus são desertos e repletos de avenidas e becos vazios. A crise econômica parece piorar esse cenário, pois a quantidade de casas com as placas de “vendo” ou “alugo” são enormes pelos bairros. Há ruas inteiras à venda. São milhares de pessoas que não mais residem nessas ruas e que estão fugindo de Manaus e de seus pontos centrais.

Essas reflexões surgem, quando se fala no turismo como propulsor de novos paradigmas de desenvolvimento. O que se visitar em Manaus? Como atrair um turista? Certamente que o Teatro é uma bela opção. Porém, o turista não pode ficar dias rodando em torno dele apenas. O que mais fazer? Visitar a Arena? Ver esse espaço inerte e sem destinação, que nem um restaurante ou uma lojinha de souvenirs possui? Visitar o Mercado Adolpho Lisboa? O mercado ficou muito bom, após restauração. Porém, o entorno é sujo, degradado e confuso. Totalmente inóspito ao turismo. Ver shows de boi ou danças indígenas, supostamente típicas, é um programa interessante, mas que precisa ser acompanhado de transporte, guias, restaurantes, tradutores e demais tipos de serviços que teimamos em não oferecer.

Pensar isso é importante, pois toda hora de crise repete esse mesmo diagnóstico – que o turismo é uma opção. São duas coisas: preparar a estrutura turística e aprontar a cidade. Se Manaus não for modificada, continuará sem oferecer opções. Por exemplo, há vistas muito bonitas da ponte do rio Negro e do próprio rio no Santo Antônio. Contudo, não há um mirante, com lojinhas ou bares, que ofereça condições do turista ou do morador local apreciar tal paisagem calmamente. São opções de emprego e renda que podem viabilizar caminhos alternativos sérios aos moradores da capital.

Isso remonta a outra questão: a mobilidade urbana. As ameaças constantes de greves de motoristas de ônibus já se tornaram rotineiras. Os engarrafamentos e as paralisações se tornaram o horizonte do manauara. Antigos sonhos, como o BRT e o Monotrilho, já foram eliminados do imaginário local. Pensar o turismo como uma alternativa real, ou mesmo melhorar a cidade para seus moradores, passa, inevitavelmente, por ampliar as condições de mobilidade urbana. Obras localizadas são ótimas. Porém, precisam estar inseridas em planos maiores e mais abrangentes, que reduzam a dependência crônica da população dos ônibus (aliás, cada vez mais velhos e deteriorados).

Finalizando, a chegada do tempo da política municipal pode ser excelente para esses e outros temas correlatos virem à tona. Não dá mais para se viver dos sucateados ônibus da capital como opção única de transporte. É a hora de se pensar em que tipo de cidade vivemos e aonde queremos que ela chegue. Tanto pelo turismo como pela qualidade de vida que desejamos para nós mesmos, moradores dela.

Comentários

sobre o autor

Articulista-Gilson-GilCarioca, nascido em Madureira e criado no Catete. Sociólogo e professor da UFAM, já trabalhou em várias instituições de ensino no Amazonas e em outros Estados. É torcedor do Flamengo, está em Manaus desde 1992 e possui uma filha meio carioca, meio manauara. Torce pela cidade e pelas pessoas que aqui vivem.