Manaus, Manaus, Manaus, do Pipira

Em 30 de março de 2017 às 08:00, por Roberto Caminha Filho.

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Estávamos esperando Papai Noel, mexendo uma feijoada. O Chico Preto, pai do deputado, senta e puxa uma conversa animada. Ele tem vergonha de dizer que fez a primeira propaganda da Samsonite em Manaus. Estava namorando com a mais linda das Socorros e resolveu folgar, tirando graça com outras. O Chico até hoje é um octogenário bonito. A mais bela, invocada como poucas, esperou o nosso ídolo chegar e lá da cobertura lançou a mala do lusitano, com duas cuecas e uma calça Lee, que ela achava que ele merecia:

– Nem sobe! Estão aí as tuas coisas. Só as que tu mereces.

O Chico escapou da malada, mas não escapa da lembrança, até hoje, seguida de um “eu me rendo”. Pedimos então para o Chico lembrar as molecagens do nosso grande ídolo e figura celestial, que atendia por Pipira, Pai da Pira e, de vez em quando, por Zulzimar Bonates. O Chico contou quatro e disse que anotaria outras cinco mil.

PIPIRA E O CARNAVAL DO LUSO

O Luso abriu o carnaval com o tradicional baile “BIBA O LUSO”. Antelquir era o Rei Momo e tinha dois trovadores como acompanhantes: Chico Preto e Pipira. Depois foram aposentados e substituídos por mais dois fradinhos que atendem por Pinduca e Julião.

Antelquir vira para os trovadores e diz:

– Está na hora de começar o baile. Entra no salão e começa a puxar as pessoas. Um folião engatou na traseira do Rei Momo e para onde o Antelquir ia o carrapato ia atrás. Aquela animação crescente e tufo, uma dedada no Rei Momo. O Antelquir sentiu o toque de próstata e falou para o Chico avisar quem era o gaiato. O Pipira falou para o Chico que avisaria. Deu a segunda dedada e falou que era o carrapato. O Antelquir, do alto dos seus 200 quilos e 1,87m de altura, desceu a porrada no carrapato e desmontou o pobre inseto. A festa acabou, o inseto passou férias na Santa Casa e o Pipira levou os donos do carnaval para outras festas.

PIPIRA X OTINHA – A LUTA DO SÉCULO

O Otinha era o maior brigador de Manaus e de Educandos. O Pipira era o menor e não aguentava um sopro. Entrou na União de Constantinopla, todo fantasiado de trovador e ao lado do Rei Momo. Sentou com os amigos e viu o Otinha querendo arranjar briga. O garçom foi logo dizendo para não ligar, que o brigão estava arranjando bronca e, se não conseguisse, iria embora. O Pipira ouviu e subiu na mesa gritando:

– Tu que és o Otinha? Eu vim lá da cidade só para acabar com a tua marra. Vem fdp! O Otinha procurou onde poderia dar um cacete no Pipira, mas não encontrou. Foi logo dizendo:

– Eu não me meto com um cabra macho como você. Eu vou é beber contigo e ninguém mexe com a gente. O Otinha passou então a ser o segurança do Pipira. Quando o Otinha queria arranjar bronca, os educandenses lembravam:

– Olha que a gente chama o Pipira. O Otinha desconversava e morria de rir.

PIPIRA E OS DEFUNTOS DA SANTA CASA

Pipira e seus companheiros acharam de começar uma bebedeira em frente da Santa Casa de Misericórdia. O anjo Pipira, depois de algumas XPTOs, disse que achava os defuntos do necrotério da Santa Casa os mais tristes do mundo. Os indigentes mereciam um final mais feliz antes de iniciar a última viagem. Levantou e sugeriu que eles mereciam muito mais:

– Vamos passear com os bichinhos!

Eram dois trabalhadores que estavam nas pedras, com as velas já apagando. Pegaram os dois, jogaram no Land Rover do Antelquir e foram deixar na casa da Dona Brasia, mãe do Balark e Antonio. Pegaram na manopla de bronze, com três batidas fortes de acordar toda a Lobo d’Almada, o Dr. Antonio Melo, os Cordeiros, os Evangelistas e o Belmiro, deixaram o primeiro turista, escorado na porta. A Dona Brasia, que não suportava a idéia do Pipira namorar sua bela filha, foi abrir a porta e o defunto caiu por cima da veneranda senhora.

A confusão começou depois do Naldo Barbosa, o Sherlock Holmes de Manaus, começar a rir sem parar, com mais um caso elucidado. Os guias da EMAMTUR já estavam num ônibus Ana Cássia na direção de São Jorge. Bebiam, davam para o viajante e pagaram na frente. Ao saltar no Batuque da Mãe Joana, deixaram o companheiro, meio amarelado, escorado na janela e saíram, na certeza de terem feito um grande favor ao pobre operário.

Vamos esperar outras histórias do Pai da Pira, contada pelo seu trovador restante. Se o Chico Preto não enumerar mais três até o início do ano, mais uma dele sairá, sem querer, claro.

Roberto Caminha Filho, economista e escritor. É fã do Pipira. Se o Chico não lembrar, o Amazonino lembrará.

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sobre o autor

Articulista-Roberto-CaminhaAmazonense de Manaus, estudou no Grupo Escolar Princesa Isabel, no Colégio Brasileiro e Colégio Estadual do Amazonas. É economista formado pela Universidade do Amazonas. Foi merecedor do Diploma da Medalha do Mérito Esportivo. É articulista do Blog Amazonas Atual e torcedor no Naça.