Mamãe entre as estrelas

Em 21 de junho de 2016 às 09:50, por Jeferson Garrafa Brasil.

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Meu saudoso pai simplificava e a chamava de Alban; os inúmeros agregados, de tia Albanita ou, simplesmente, tia; já os muitos netos, preferiam o carinhoso vó Banita.

Hoje, 21 de junho 2016, minha inesquecível mãe faria 86 anos. Estudou até o ginasial e tinha especial talento e criatividade para tarefas manuais. Seus temperos, bolos e doces teimam em nosso imaginário gustativo até hoje. Muitos eventos e bailes foram freqüentados pelas roupas que saíram de sua velha Singer, anos mais tarde trocada por uma moderna Elgin.

Porém, o que mais atraía em mamãe, era sua capacidade inesgotável de interação através da palavra falada. A palavra dita, proferida. Bastava o(a) incauto(a) se aproximar dela num raio de 100 metros, que haveria um assunto qualquer pra iniciar a conversa. Os filhos todos, sem uma reles exceção, herdaram dela, mais do que a característica, o gosto pelo falar. Prosear, enfim.

É verdade que já contei antes a historinha a seguir, mas ela ilustra, à perfeição, essa marca especial e única de mamãe: falar e, sejamos justos, conversar e fazer amigos. Muitos. Por onde ela passasse, deixaria sempre um novo “velho amigo de infância”. Ou nova “velha amiga”.

Dona Albanita era especialista na arte de alongar uma história, esticar um assunto. Da receita do bolo mais antigo, ao modelo do vestido mais atual, ia com a naturalidade e afeição do mestre que domina os dois ofícios. E como.

Mas, voltando ao mote principal, ainda morava com meus pais, e, certa vez, num domingo qualquer, me ajeitei no sofá pra assistir futebol pela TV. Já estava ela no portão de casa despedindo-se de uma visita. Como de hábito, só ela falava, gesticulando, e emendando fácil, fácil um assunto no outro. Pois no intervalo do jogo, a tal despedida persistia! De gozação levei-lhe um copo com água, e ela – olhar espantado e surpreso: “pra mim, meu filho!?”  Por Deus! Depois de 45 minutos falando sem parar, no mínimo, precisava de água! Esta é apenas a ponta do iceberg das muitas e deliciosas histórias de minha mãe.

Mas o verdadeiro, mágico e inesquecível ofício de dona Albanita foi ser mãe. Devotada, presente, generosa e que nos cercou com muito amor. E olha que foram 7 filhos! Papai e mamãe realmente não brincaram em serviço. Hoje, e por todo o sempre, ela estará dançando “cheek to cheek among the star” com o cap. Jeferson.

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sobre o autor

Articulista-Jeferson-BrasilFoi baterista, segundo ele, do sofrível conjunto musical “Os Paqueras”. Jogou basquete, futebol e tênis de quadra. Admite, orgulhosamente, que seus dois irmãos jogavam muito mais. Sua vingança é hoje ser corredor de rua, com sonho de virar maratonista. É cronista bissexto.