INOVAR PARA CRESCER

Em 9 de maio de 2018 às 14:30, por Gilson Gil.

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INOVAR PARA CRESCER

O Brasil vive uma ressaca da maior recessão de sua história. Os investimentos caíram assustadoramente e há cerca de três anos vivemos um espetáculo de cortes e ajustes nas esferas pública e privada que parece não ter fim. Ë hora, então, de buscar alternativas e captar recursos. Não adianta chorarmos e ficarmos nos lamentando. Com um orçamento de mais de R$ 15 bilhões, o Amazonas precisa enxergar oportunidades e inovar na sua busca por alternativas. Esperar que os empresários surjam com empreendimentos fantásticos ou chances inusitadas virou utopia. Da mesma forma, somente cortar no serviço público pode comprometer investimentos que serão importantes para o futuro.

Assim, sem olhar o tesouro estadual como um manancial eterno de recursos, é necessário ver de onde se pode captar verbas para o estado. E esses recursos precisam estar coadunados a uma visão que os direcione para o futuro, preparando o estado para um cenário melhor a médio prazo.

E onde estaria esse dinheiro oculto? Primeiramente, ele não é tão oculto assim. Porém, é preciso pesquisar e fazer projetos. Não é hora de queimar recursos em atitudes demagógicas ou de curtíssimo prazo. Em segundo lugar, onde estão tais recursos? Rapidamente, posso citar o Fundo Amazônia, com cerca de R$ 2B, O FNO, com R$ 3B, as linhas de crédito para a indústria 4.0, com R$ 8.4 B, o Fundo Penitenciário e o Fundo Nacional de Segurança Pública, com outros bilhões à disposição dos governos estaduais e seus projetos. Isso sem falar no Fundo do Turismo, por exemplo, ou as verbas de PD & I que estão aguardando por institutos e governos que desejem usá-los.

Nem todos esses recursos são acessíveis ao setor público. Entretanto, os governantes podem inovar e promover junto a órgãos como SUFRAMA, FIEAM e CIEAM a utilização deles. Parcerias, workshops e convênios podem ser feitos e esses recursos acabarem entrando em circulação. Além disso, se pensarmos no caso das verbas para a indústria 4.0, é um recurso que poderá dinamizar e atualizar o polo industrial, adequando-o às demandas do século XXI. É uma discussão que já prolifera há mais de uma década na Europa, mas que só agora chegou aqui. É preciso que nossos empresários tomem consciência da necessidade dessa inovação e readaptem suas plantas.

Nessa linha, é hora de pensar o que se pode fazer em termos de PPBs, buscando ampliá-los, e o que se pode fazer com o CBA. São oportunidades que estão ali ao lado e que não custariam muito dinheiro.

Os fundos para a segurança, caso bem utilizados, economizariam recursos estaduais que poderiam ser aplicados em outras áreas, como a infraestrutura. Pensar a modernização das cadeias produtivas somente será possível com investimentos em portos, aeroportos e energia. Os pequenos produtores precisam dessas cadeias para escoar a produção e agregar valor aos seus produtos, em muitos casos aliando-se aos grandes produtores. Somente com logística eficiente e acessível, isso será possível.

Enfim, é mais do que hora de criatividade e responsabilidade. Por um lado, é o momento de buscar fontes alternativas de recursos. Por outro, é a hora de aprofundar na gestão responsável, eliminando duplicidades e dispêndios meramente eleitoreiros, para agradar grupos e apoiadores eventuais.

Inovar para se desenvolver precisa ser nossa meta imediata. O desemprego não está dando tréguas. O Amazonas e Manaus, em especial, sofrem mais do que a média nacional, pelo perfil industrial de seus empregos formais. É preciso criatividade e trabalho para superar esta crise e oferecer novas chances à população que busca uma vaga e está ansiosa por uma vida melhor.

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sobre o autor

Articulista-Gilson-GilCarioca, nascido em Madureira e criado no Catete. Sociólogo e professor da UFAM, já trabalhou em várias instituições de ensino no Amazonas e em outros Estados. É torcedor do Flamengo, está em Manaus desde 1992 e possui uma filha meio carioca, meio manauara. Torce pela cidade e pelas pessoas que aqui vivem.