Experiência e liderança não podem ser automatizadas

Em 21 de dezembro de 2016 às 08:00, por Amaury Veiga.

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Ao ver o comercial de gigante da exploração petrolífera sobre novas tecnologias, lembrei de um artigo da revista Time sobre “humanização de robots”. Nele, o autor salienta: “Deixe-me corrigir um sentimento que talvez você tenha: robots são muito idiotas”!

Apesar de ser uma afirmativa demasiadamente simplista, a frase deve ser levada em cuidadosa consideração, quando observamos o grande impacto que o mundo digitalizado proporciona na área dos projetos e na indústria da construção civil.

Como profissional que, neste ano, comemora 45 anos de formado, este autor tem profunda admiração pela contribuição incalculável fornecida pela informática no nosso ramo. Contudo, a necessidade de se levar em conta o fator humano, nunca deve ser esquecido e ou menosprezado! Explico: com o advento dos programas computacionais de projetos estruturais, hoje, qualquer pessoa medianamente inteligente, mesmo sem formação específica na área, pode se arvorar a projetar uma estrutura.

Tudo muito bom, mas, porém, contudo, todavia, aqui começam os problemas. Já fui chamado, várias vezes, para checar e ou modificar projetos, digo, saídas de computadores com as mais absurdas soluções. Numa delas, exemplificando, o resultado era: 25 Ø 19 numa viga de 15x 40. Traduzindo: o elemento, como dizem os delegados de polícia, devia colocar 25 “ferros” de 19mm numa viga de concreto com dimensões de 15cm x 40cm. Era melhor adotar viga metálica.

Noutro, a seção de um pilar para suportar laje com área de influência de 4,0m x 4,0m e carregamento residencial, era de 40 x 40 cm. Então ficamos assim: não te tuito e tu não me facebuqueia!

Brincadeiras à parte, independentemente do nível de sofisticação do mundo digital, a experiência e liderança do fator humano devem continuar preponderantes nos sistemas automatizados.

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sobre o autor

Articulista-Amaury-VeigaÉ o que quis ser desde criança: engenheiro civil. Especializou-se em estrutura, numa carreira que já completou quarenta e quatro anos. Tem mais de quatro mil projetos de sucesso. Só não contava que, ao longo de sua trajetória de vida, também se dedicasse ao tênis, jazz, cinema, comida japonesa e agora escrever artigos.