Eleição

Em 6 de junho de 2017 às 08:00, por Gilson Gil.

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Estamos a pouco mais de sessenta dias de uma eleição direta para o governo estadual e quase nada se fala ou comenta sobre isso. Os meios de comunicação tratam o tema como algo exótico, as universidades respeitosamente estão em silêncio e a opinião pública em geral guarda um distanciamento olímpico dessa questão.

É interessante ver como os próprios candidatos ou supostos, ou pré, pois não houve as convenções, também estão silenciosos sobre isso. Eles se lançam como se houvesse um prêmio ou fosse apenas uma aventura para descolados, algo como um Triple x, personagem do ator Vin Diesel. Ninguém menciona um plano, uma ideia ou projeto para o estado. Não há uma proposta, a mais genérica que seja, sobre os rumos da economia estadual. Temas como arrecadação decrescente, lei de responsabilidade fiscal ou incentivos da Zona Franca nem de longe estão sendo mencionados nesse período. As candidaturas surgem do “nada”, sem uma proposta para a região, para o interior ou os dilemas da capital.

Manaus está derretendo pela violência urbana, com os moradores apavorados e a criminalidade avançando sem limites. Todas as pesquisas apontam que esse é o problema mais fervoroso para os habitantes. Porém, os nossos “candidatos” não expressaram, até agora, uma ideia que seja sobre o tema. Isso sem falar em saúde, educação, desenvolvimento ou mobilidade.

Outro silêncio que dói em nossos ouvidos é aquele sobre a “nova matriz econômica”, modelo econômico para a capital e o interior que o governador cassado dizia estar implantando, nos moldes dos falecidos Terceiro ciclo e Zona Franca Verde. Parece que o projeto simplesmente acabou, sem deixar rastro. Nenhum resíduo desse projeto resiste nas falas do governador interino, que, aliás, alguns dizem que é um candidato também.

Por falar em nomes, já que em ideias ninguém toca, seria interessante que a própria mídia e seus “formadores de opinião” levantassem esse debate. Vejo os comunicadores muito ocupados em discutirem nomes, em falarem em supostos “bastidores”, como se possuíssem acesso a algum espelho mágico que diria o nome do próximo governador, antes mesmo das campanhas. Seria importante que mencionassem projetos, que falassem da (finada?) Nova Matriz Econômica ou dos destinos do Polo Industrial.

Creio ser preciso deixarmos os espelhos mágicos de lado um pouco e começarmos a falar em propostas. Mesmo que os candidatos não falem, é hora da sociedade civil, principalmente a mídia especializada, começar a ver os problemas de Manaus, os impasses do interior e os caminhos que o estado pode tomar. Enfim, vamos ver o que a eleição nos oferece.

sobre o autor

Articulista-Gilson-GilCarioca, nascido em Madureira e criado no Catete. Sociólogo e professor da UFAM, já trabalhou em várias instituições de ensino no Amazonas e em outros Estados. É torcedor do Flamengo, está em Manaus desde 1992 e possui uma filha meio carioca, meio manauara. Torce pela cidade e pelas pessoas que aqui vivem.

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