E da Vinci não entregou a Mona Lisa

Em 16 de janeiro de 2018 às 08:00, por Jeferson Garrafa Brasil.

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Noite dessas, assistia a uma reportagem na TV, quando me aparece na tela uma jovem delegada explicando os detalhes de uma investigação (mais uma) sobre o imperdoável desvio de dinheiro público (mais um) da saúde, aqui no Amazonas. Seu nome: Mona Lisa Benevides.

Tenho uma antiga e nada técnica curiosidade sobre a Mona Lisa, o quadro: por que Leonardo da Vinci não entregou a obra quando a concluiu, em 1506? Muito pelo contrário, os dois seguiram juntos por mais uns 15 anos, até sua morte em 1519, no interior da França, pouco mais de duas semanas após completar 67 anos. Se por ventura você sabe o real motivo dessa não entrega, marque um café pra amanhã à tarde e serei um ouvinte atento.

Esse famoso quadro, fica no Louvre, em Paris, e desaponta quem espera algo maior: foi pintado num pequeno pedaço de madeira de exatos 77 cm por 53. Por isso, causa alguma surpresa saber que da Vinci tenha dedicado 4 anos de sua vida para terminá-lo. Vou dar-lhe um desconto, pois ele tinha fama, justificada, de ser um procrastinador convicto. Mas a chance de eu contratá-lo pra pintar o muro lá de casa é zero.

Cá comigo, permito-me especular que essa demora foi o real motivo do quadro ter permanecido com ele. Não é difícil imaginar que Francesco del Giocondo, o dono da encomenda, com o saco cheio de tanto esperar, lhe tenha berrado um sonoro “andare via, maledeto!“. Afinal, o “indignato signore” era nada mais nada menos que o zeloso esposo de certa mocinha chamada Lisa Gherardini/del Giocondo, que serviu de modelo. Com o tempo, veio a ser La Gioconda, pros italianos, La Joconde, pros franceses, e, ganhou o resto do mundo como Mona Lisa.

Outra especulação: Francesco viu a figura retratada… olhou… avaliou… franziu o cenho e não achou muito parecida com sua amada Lisa. Seus olhos, quase em fúria, viram ali uma versão feminina de um dos “sobrinhos” que acompanharam da Vinci em sua existência. Outro berro: “Cazzo! Andare via, maledeto” e, Leonardo, resignado, botou o quadro debaixo do braço. Cabisbaixo, já tinha até se afastado uns metros e fez de conta que aquele alto e ressonante “figlio di p……” não era com ele e sumiu pelas ruelas de Florença.

Nesse ponto, maliciosamente, alguém pode insinuar: “Ah… quer dizer que ele tinha “uns sobrinhos, é”? Vem cá, meu. Isso tem mesmo alguma importância? O profícuo e prolífico da Vinci foi cientista, matemático, engenheiro, arquiteto, inventor, anatomista, pintor, escultor, músico, poeta, etc… influenciou gerações, contribuiu com a ciência, as artes e você vem levantar essa questão!?

Eu, de minha parte, não vou discutir e nem tenho maior interesse pela sexualidade de da Vinci, de quem sou admirador confesso. Porém, macho alfa que se preza não tem tantas habilidades assim. Se tiver, tenho absoluta certeza, duvido muito que as execute tão bem.  Se você conhece alguém com todos esses atributos e talentos (homem, mulher ou afim) convide pro nosso café de amanhã. Tiro uma selfie, peço um autógrafo, e, de quebra, pago a conta.

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sobre o autor

Articulista-Jeferson-BrasilFoi baterista, segundo ele, do sofrível conjunto musical “Os Paqueras”. Jogou basquete, futebol e tênis de quadra. Admite, orgulhosamente, que seus dois irmãos jogavam muito mais. Sua vingança é hoje ser corredor de rua, com sonho de virar maratonista. É cronista bissexto.