Dos artistas e suas artes

Em 17 de abril de 2017 às 09:37, por Jorge Alvaro.

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Para escrever algo que valha a pena, sempre me parece difícil me aproximar do computador. Mas na semana passada, reencontrei um amigo de quase quatro décadas e ao saber de que este ano 2017 é o de sua comemoração aos quarenta anos dedicados às artes plásticas, as teclas do notebook me parecem mais leves. Quem, nascido e criado nestas plagas amazônicas, saiu da taba e lá fora se evidenciou na literatura, nas artes plásticas, na poesia, na dança ou em qualquer outra atividade artística? Posso citar com medo de esquecer alguém, Manoel Santiago, expoente das artes plásticas nos anos 30, Moacir Andrade, que teve sua arte prestigiada no Brasil, na Europa e até no Oriente Médio. Dizem que até para China o nosso conhecido professor e artista exportou seu talento. Márcio Souza e Milton Hatoum, literatos de renome, com seus textos sempre atuais inteligentes. O maestro Claudio Santoro, compositor clássico. Marcelo Mourão Gomes, nascido em Manaus, expoente do balé clássico nos palcos da América e do resto do mundo. Rita Loureiro, artista plástica desde há muito sediada no Rio de Janeiro, mas também nascida nesta nossa cidade de Manaus. O grande parintinense Chico da Silva, na música popular brasileira. Oscar Ramos, Álvaro Páscoa e Hahnemann Bacelar, nos anos 50 e 60. Não posso esquecer Manoel Borges e Afrânio de Castro. Todos amazonenses. Mas hoje homenageio os artistas amazonenses na pessoa de Arnaldo Garcez, poeta, escritor e artista plástico. Figura com quem convivo aqui e ali há mais de trinta e cinco anos. Sem pretender ser crítico de arte, reputo a de Garcez com a sua alma registrada de poeta, seja na tela ou no papel. Naquela, semblantes melancólicos, como a vida na maioria das vezes o é. Neste, a ironia, o sarcasmo e a irreverência, sempre presentes na obra dos grandes. Temos a mesma idade, cinquenta e nove anos. Ele, por ter nascido em abril, é mais velho. E é no próximo dezoito de abril, que comemorará quarenta anos dedicados à arte. E disso sou testemunha. Garcez nunca exerceu outra profissão. Ao longo desses muitos anos, vi esse homem simples lutar a sua batalha vitalícia. Ora vencendo, ora deixando se levar por pretensos vencedores, sem nunca reclamar das vicissitudes, sempre presentes, pois é difícil viver somente de arte no Brasil. Atualmente, Garcez expõe suas obras nos diversos recantos do país, assim como nos Estados Unidos e na Europa. Mas nunca esqueceu a cidade em que nasceu. Tanto que no próximo dia 18 de abril estará com um acervo de cem pinturas comemorando quarenta anos de arte. Estarei lá (*) e convido a todos a fazer o mesmo, em homenagem a Arnaldo Garcez e aos artistas do Amazonas.

(*) Sede do Instituto Cultural Brasil-Estados Unidos (ICBEU), à avenida Joaquim Nabuco – Centro (18 de abril, às 20h).

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sobre o autor

Articulista-Jorge-AlvaroGinasiano do Colégio Estadual, de 1969 a 1975, tímido para ser líder, somente em 1996 presidiu a associação dos juízes trabalhistas da Região, por dois anos. De Manaus, onde pretende morrer, ouve música e assiste filmes, indiscriminadamente. Mais leitor que escritor, afinal ser o segundo é para poucos. Aceita desafios.